As autoridades moçambicanas detiveram quatro indivíduos, incluindo o diretor-geral do Instituto Nacional de Segurança Social, no âmbito de uma investigação a alegados esquemas de corrupção e manipulação de concursos públicos para desvio de fundos.
Entre os detidos encontram-se ainda o diretor do Departamento de Administração e Finanças da instituição, um técnico da Unidade Gestora Executora das Aquisições e um empresário presumivelmente ligado ao esquema.
Segundo fonte próxima do processo, os suspeitos serão presentes à Secção de Instrução Criminal do Tribunal da Cidade de Maputo para o primeiro interrogatório judicial, etapa que deverá determinar as medidas de coação a aplicar.
O caso surge num contexto de crescente preocupação com o impacto da corrupção nas contas públicas. Dados divulgados pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção indicam que o Estado moçambicano sofreu prejuízos superiores a 2,9 mil milhões de meticais em 2025, embora apenas uma fração tenha sido recuperada pelas autoridades.
No mesmo período, foram tramitados mais de dois mil processos relacionados com corrupção, refletindo um aumento face ao ano anterior e evidenciando maior atividade investigativa, mas também a persistência do fenómeno.
Entre os crimes mais recorrentes destacam-se corrupção passiva e ativa, peculato, abuso de cargo e simulação de competências práticas que continuam a afetar a eficiência da administração pública e a confiança nas instituições.
A detenção de altos responsáveis de uma instituição central como o INSS levanta preocupações quanto à transparência na gestão de fundos públicos, particularmente num organismo responsável pela proteção social de trabalhadores.
Para além do impacto jurídico, o caso poderá influenciar a perceção de risco por parte de investidores e parceiros internacionais, num momento em que Moçambique procura reforçar mecanismos de governação e credibilidade institucional.
Especialistas defendem que o reforço dos sistemas de controlo interno, maior digitalização dos processos de contratação pública e responsabilização efetiva dos agentes envolvidos são medidas essenciais para mitigar riscos e restaurar a confiança no setor público. (DW)
Por: IZILDA CHILUNDO
