África do Sul e Moçambique concentram foco global da tuberculose

A Organização Mundial da Saúde alerta que a África Austral continua a ser uma das regiões mais afetadas pela tuberculose, com África do Sul e Moçambique entre os principais focos globais da doença.

Apesar de progressos registados no continente africano, os dados mais recentes indicam uma tendência preocupante de aumento de infeções nestes dois países, impulsionada por fatores estruturais como a coinfeção com HIV, a pobreza e fragilidades nos sistemas de saúde.

Na África do Sul, estima-se que entre 54 mil e 56 mil pessoas tenham morrido de tuberculose entre 2023 e 2024, enquanto os novos casos anuais variam entre 270 mil e 326 mil. O país mantém-se entre os 30 com maior carga da doença, com uma taxa de coinfeção com HIV de cerca de 54%, um dos principais fatores de agravamento clínico.

Já em Moçambique, a situação é igualmente crítica. Em 2023, cerca de 112 mil pessoas terão desenvolvido tuberculose, mas mais de 17 mil casos ficaram por diagnosticar, evidenciando limitações no acesso ao sistema de saúde. A doença continua a ser uma das principais causas de mortalidade, sobretudo entre pessoas que vivem com HIV.

Especialistas apontam a desnutrição crónica, os elevados níveis de pobreza e o acesso limitado a cuidados médicos como fatores determinantes para a persistência da doença. A estes somam-se desafios adicionais, como o aumento da tuberculose resistente a medicamentos e o estigma social, que continuam a atrasar o diagnóstico e a adesão ao tratamento.

A falta de conhecimento sobre os sintomas como tosse persistente, perda de peso e suores noturnos contribui para a propagação silenciosa da doença, muitas vezes confundida com condições menos graves.

Para além da dimensão sanitária, a tuberculose representa um custo significativo para as economias da região, afetando diretamente a produtividade laboral e pressionando sistemas públicos de saúde já limitados.

Neste contexto, cresce a relevância de investimentos em diagnóstico precoce, inovação digital e campanhas de sensibilização comunitária, áreas que têm vindo a ganhar espaço como oportunidades para parcerias entre governos, organizações internacionais e setor privado.

A contenção da tuberculose na África Austral será determinante não apenas para os sistemas de saúde locais, mas também para o controlo global da doença, num momento em que a mobilidade e a interligação entre regiões aumentam os riscos de propagação. (DW)

Por: IZILDA CHILUNDO

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