A atual ministra da Saúde de Portugal, Ana Paula Martins, está no centro de uma nova polémica após ter sido revelado que, em 2021, se opôs à vacinação generalizada de crianças contra a Covid-19.
Segundo informações divulgadas pelo jornal Nascer do Sol, a então bastonária da Ordem dos Farmacêuticos defendeu que a vacinação pediátrica deveria ser limitada apenas a crianças com fatores de risco para formas graves da doença.
Na altura, o Governo português avançava com um plano de vacinação alargado, que viria a incluir jovens com mais de 12 anos ainda em 2021. A posição de Ana Paula Martins contrariava essa estratégia, ao sugerir uma abordagem mais cautelosa e seletiva.
Num parecer emitido em julho desse ano, a responsável defendia que a vacinação infantil deveria ocorrer apenas em casos específicos, como crianças com sistema imunitário fragilizado ou doenças graves. Além disso, propunha critérios rigorosos, incluindo avaliação médica individual e consentimento informado dos encarregados de educação.
O documento terá sido elaborado a pedido da então diretora-geral da Saúde, Graça Freitas. No entanto, a Direção-Geral da Saúde optou por seguir uma linha diferente, avançando com a vacinação de adolescentes em agosto e alargando-a, meses depois, a crianças a partir dos quatro anos.
Atualmente, as orientações oficiais já não defendem a vacinação universal de crianças. A recomendação centra-se em menores com condições de risco, como doenças crónicas ou imunossupressão.
A diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, assegura, no entanto, que as vacinas continuam a ser seguras. A responsável explica que a mudança resulta da evolução da evidência científica, que já não demonstra um benefício claro na vacinação generalizada das faixas etárias mais jovens.
Face à controvérsia, a Assembleia da República aprovou a realização de audições para esclarecer decisões e garantir transparência no processo.
Além da atual ministra, serão ouvidas a ex-ministra da Saúde, Marta Temido, bem como responsáveis atuais e anteriores da Direção-Geral da Saúde. (NM)
Por: IZILDA CHILUNDO
