Aulas ao lado de reclusos preocupam pais em Nampula

Mais de mil alunos, na sua maioria adolescentes, frequentam aulas no interior do Estabelecimento Penitenciário Regional Norte, na província de Nampula, partilhando o mesmo espaço com reclusos condenados por diversos crimes.

A situação tem gerado preocupação entre pais e encarregados de educação, apesar de o Governo considerar que não existem riscos para os estudantes.

A escola funciona no interior do estabelecimento penitenciário desde 2022, após autorização concedida pelo Serviço Nacional Penitenciário em 2021. A decisão teve também o aval da Direcção Provincial de Educação de Nampula, alegadamente para reduzir as longas distâncias percorridas pelos alunos.

Segundo o director provincial de Educação, Wiliam Tunzine, a iniciativa visa garantir acesso ao ensino.

“Nós estendemos os nossos serviços para qualquer ponto do país onde há procura. É seguro sim”, assegurou.

Entretanto, a situação tem sido contestada por especialistas e membros da sociedade civil. O académico Marchar Manufredo considera que a decisão representa um risco social.

“Todo o espaço prisional é um risco social, porque é um centro de reeducação. Juntar adolescentes com reclusos foi uma decisão negativa”, afirmou.

A psicóloga Palmira Revula também alertou para possíveis impactos psicológicos nos alunos, defendendo uma solução urgente.

Por sua vez, o ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, minimizou a polémica após visitar o local.

“É uma escola oficial, formalizada, e os alunos terão certificados. Estamos num centro de ressocialização”, disse.

Face à polémica, o governador de Nampula, Eduardo Abdula, anunciou que o Governo provincial está a trabalhar para retirar os alunos do estabelecimento penitenciário. (DW)

Por: IZILDA CHILUNDO

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