Corte da ajuda britânica expõe fragilidades estruturais em Moçambique

A decisão do Reino Unido de reduzir a ajuda externa a Moçambique está a levantar preocupações quanto à capacidade do país para enfrentar um cenário com menor dependência de financiamento internacional.

A medida surge num contexto de reorientação das prioridades britânicas, que passam a privilegiar países afectados por conflitos, como a Ucrânia, o Sudão e o Líbano.

Em entrevista à Deutsche Welle, o director executivo do Centro de Integridade Pública (CIP), Edson Cortês, considera que o Estado moçambicano falhou na preparação para este cenário, apesar de o fim progressivo da ajuda externa ser previsível.

Segundo o responsável, ao longo de décadas, o país não conseguiu consolidar mecanismos eficazes de gestão e fiscalização dos seus recursos naturais, o que teria permitido aumentar as receitas internas e reduzir a dependência de doadores.

Edson Cortês aponta ainda fragilidades institucionais, que, no seu entender, são agravadas por práticas de corrupção e por uma gestão pública ineficiente, factores que limitam a capacidade do Estado de responder a choques externos.

O analista defende que a estratégia nacional de financiamento falhou ao assentar excessivamente no apoio externo, num contexto internacional que se tornou mais incerto e competitivo, com vários países doadores a enfrentarem desafios internos e a reverem as suas prioridades.

Quanto aos impactos, alerta que os cortes poderão afectar não apenas os grupos mais vulneráveis, tradicionalmente dependentes de programas financiados por parceiros internacionais, mas também sectores da classe média e actividades económicas ligadas à cooperação internacional, sobretudo na área dos serviços.

Na sua análise, o actual cenário reflecte a falta de um modelo de desenvolvimento sustentável, cujas limitações se tornam agora evidentes com a redução do apoio externo, obrigando o país a enfrentar as consequências dessa dependência. (NM)

Por: IZILDA CHILUNDO

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