Conflito no Irão pode ter impacto severo na economia moçambicana

Moçambique poderá vir a ser gravemente afectado pela escalada do conflito no Irão, alerta o economista e pesquisador da área de hidrocarbonetos, Joaquim Dai. O envolvimento de vários países produtores de petróleo na guerra poderá pressionar a oferta mundial e provocar uma subida significativa dos preços para os países importadores.

O conflito opõe os Estados Unidos da América e Israel ao Irão, que, em resposta, tem vindo a atingir interesses e aliados daqueles países. Embora Moçambique esteja a mais de sete mil quilómetros do teatro das operações, os reflexos económicos poderão fazer-se sentir de forma directa na chamada “Pérola do Índico”.
.SOTEROPOLI. Fotos da Regata João das Botas 2010 - Salvador, Bahia

Segundo Joaquim Dai, a eventual redução de cerca de um quinto da oferta mundial de combustíveis terá impacto imediato nos preços internacionais. “Quando cai 1/5 da oferta de combustível, o preço aumenta. Para um país como Moçambique, que não é produtor nem refinador, isso significa adquirir o produto ao preço internacional vigente, o que terá um impacto muito grave na economia nacional”, advertiu.

O economista destaca ainda o anúncio de encerramento do Estreito de Ormuz, situado entre o Irão e Omã, por onde transitam diariamente cerca de 20 milhões de barris de petróleo, representando aproximadamente 20% do abastecimento global.
Estreito de Ormuz - Hidrografia - InfoEscola

“O bloqueio daquele corredor marítimo compromete uma fatia significativa do fornecimento mundial. Metade desse volume é consumido pela China, um dos principais motores do crescimento económico global. Se a China aumentar a sua procura junto de outros fornecedores, os preços tenderão a subir ainda mais”, explicou.

Joaquim Dai considera que a limitada capacidade de armazenamento de combustíveis no país agrava o cenário. “Neste momento, não dispomos de reservas suficientes para garantir estabilidade durante um período prolongado. O risco de impacto em Moçambique é praticamente total, caso se verifique escassez nos mercados internacionais”, sublinhou.

Como medida estrutural, o especialista defende a necessidade de o país apostar na transformação interna dos seus recursos. “Moçambique deve criar condições para transformar os hidrocarbonetos que possui, reduzindo a dependência das importações e mitigando o efeito de futuros choques externos”, afirmou.

O economista falava, ontem, durante o programa “Manhã Informativa”, da STV.
Por: Joao Mbatine

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