Assinalam-se hoje 131 anos da Batalha de Marracuene, historicamente conhecida como Gwaza Muthini, uma das datas culturais e históricas mais emblemáticas da província de Maputo. Contudo, as comemorações decorrem este ano sem o habitual ambiente festivo, em virtude das cheias que afectam várias regiões do Sul e Centro do país, incluindo o próprio distrito de Marracuene.
Segundo informou o Município de Marracuene, a efeméride será marcada de forma restrita, limitando-se à cerimónia tradicional ao nível do regulado. As actividades culturais e recreativas que normalmente têm lugar no jardim da vila e no Monumento de Gwaza Muthini foram canceladas, como gesto de respeito e solidariedade para com as populações afectadas pelas inundações.
Em comunicado, a edilidade explicou que a decisão resulta do actual contexto humanitário vivido no país. “Num momento em que muitos dos nossos irmãos enfrentam dor, perdas e sofrimento, entendemos ser nosso dever demonstrar união, solidariedade e respeito. Por essa razão, o Município de Marracuene informa que não participará nas festividades do Gwaza Muthini”, refere a nota.
Não é a primeira vez que a data é evocada sem celebrações de grande dimensão. Em 2020, devido às restrições impostas pela pandemia da Covid-19, as comemorações também se limitaram a actos simbólicos, como rituais tradicionais, evocação dos espíritos e deposição de coroas de flores.
A Batalha de Marracuene, ocorrida a 2 de Fevereiro de 1895, opôs as forças rongas, lideradas pelo jovem príncipe Zixaxa, às tropas coloniais portuguesas comandadas pelo major Caldas Xavier, no quadro das campanhas de ocupação colonial então designadas de conquista e pacificação.
Tradicionalmente, as comemorações do Gwaza Muthini culminam com o Festival da Marrabenta, que este ano será dedicado às vítimas das cheias. O evento terá um formato especial, com sessões itinerantes a realizar em diferentes centros de acolhimento, levando música e mensagens de esperança às comunidades afectadas.
O festival decorre de hoje até sábado, sob o lema “Cultura como instrumento de esperança, união e resiliência em tempos de crise”.
