Ventura aceita debate com Pacheco Pereira e promete confronto baseado em “factos e documentos”

O confronto surge na sequência de um desafio lançado pelo académico, que defendeu a necessidade de um debate assente em “factos e documentos”.

Através de uma publicação na rede social X, Ventura afirmou aceitar o repto, classificando o encontro como um “grande debate”.

O líder partidário garantiu não recear o confronto de ideias, sublinhando que pretende defender “os valores do Chega” e apelando a uma leitura da História de Portugal “com verdade e sem condicionamento ideológico”.

O desafio foi lançado por Pacheco Pereira no programa O Princípio da Incerteza, após críticas à intervenção de Ventura no parlamento durante a sessão solene dos 50 anos da Constituição.

O historiador acusou o político de recorrer a “todas as formas de mentira”, incluindo omissões e distorções de factos históricos.

Entre os exemplos apontados, destacou-se a alegação de Ventura sobre a existência de mais presos políticos após o 25 de Abril de 1974 do que durante o regime anterior. Pacheco Pereira contestou essa afirmação com dados que indicam mais de 12 mil presos políticos entre 1945 e 1974, além de milhares de detenções nas colónias.

Relativamente ao período pós-revolução, o historiador esclareceu que muitos dos detidos estavam ligados à antiga PIDE ou a episódios específicos da instabilidade revolucionária, como o 28 de Setembro e o 11 de Março, bem como a organizações políticas da época.

Para o debate, Pacheco Pereira propõe regras claras: duração mínima de uma hora, proibição de ataques pessoais e obrigatoriedade de fundamentar todas as afirmações com provas concretas.

“Cada afirmação tem de ser documentada”, defendeu, reiterando que espera reciprocidade por parte de Ventura.

O debate promete assim um confronto direto não apenas de posições políticas, mas também de interpretações históricas, num formato que privilegia a evidência factual. (NM)

Por: IZILDA CHILUNDO

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