Dezoito anos após a sua criação, a Autogas ainda não conseguiu assinar um contrato formal com a ENH para a alocação de gás natural veicular (GNV), essencial para abastecer o mercado e reduzir os custos do combustível. Atualmente, a empresa compra gás a operadores privados, o que limita a expansão da rede e mantém os preços elevados.
Com cerca de 4.000 a 4.500 autocarros movidos a gás na região da Grande Maputo, a Autogas pretende crescer nacionalmente, mas a falta de um acordo oficial dificulta a construção de novos postos de abastecimento, atualmente concentrados em Maputo, Matola e Marracuene. Cada posto custa cerca de 1 milhão de dólares, e a conversão de veículos exige cerca de 1.000 dólares por unidade.
O Governo, através do ministro Estevão Pale, promete flexibilizar a alocação de gás e apoiar a expansão do setor, destacando que o GNV pode reduzir a dependência de combustíveis importados. No entanto, ainda não foram definidos prazos concretos para formalizar o contrato com a Autogas ou implementar medidas de massificação.
Apesar das limitações, há planos para expandir a frota de autocarros a gás. A Agência Metropolitana de Transportes prevê a entrada de 190 novos autocarros movidos a GNV na Grande Maputo ainda este ano, e a província de Gaza será o próximo destino para novos postos de abastecimento.
Entre 2025 e 2029, está prevista a aquisição de 1.145 autocarros no país, com 190 unidades a gás para a área metropolitana.
Especialistas e operadores do setor veem o GNV como uma alternativa estratégica aos combustíveis fósseis, sobretudo no contexto da instabilidade nos mercados internacionais de petróleo.
A TAQA Arabia destacou a experiência do Egito na utilização de gás natural em veículos como referência para Moçambique.
O seminário anual “Aproximando os intervenientes para a massificação do uso do gás natural” reforçou compromissos do setor e debateu soluções para dinamizar o mercado, destacando a necessidade de garantias contratuais e harmonização legal para viabilizar o crescimento sustentável do gás veicular no país. (O país)
Por: IZILDA CHILUNDO
