Cabo Delgado enfrenta assistência humanitária fragilizada devido à violência persistente

A ONU alertou para a crescente fragilidade das operações humanitárias no norte de Moçambique, devido à persistência da violência armada e a múltiplos riscos que continuam a afectar a região.

Segundo o OCHA, o acesso à assistência humanitária nas províncias de Cabo Delgado e Nampula manteve-se limitado em Fevereiro, num contexto marcado por ataques a civis, presença de engenhos explosivos improvisados, desinformação relacionada com a cólera, além de chuvas intensas e constrangimentos logísticos.

Apesar de uma ligeira redução no número de incidentes de segurança em Cabo Delgado de 75 em Janeiro para 70 em Fevereiro a situação no terreno continua a dificultar a prestação de ajuda. No mesmo período, foram registados 33 ataques contra civis em cinco distritos, nomeadamente Mocímboa da Praia, Macomia, Meluco, Muidumbe e Palma, dos quais resultaram pelo menos oito mortos.

A ONU sublinha que muitos destes incidentes ocorrem em zonas remotas e ilhas com presença humanitária limitada, o que dificulta a avaliação das necessidades e a resposta eficaz às populações afectadas.

As operações militares e os ataques de grupos armados continuam igualmente a perturbar rotas logísticas estratégicas, incluindo a Estrada 380, principal corredor de abastecimento da região, cuja circulação chegou a estar suspensa durante mais de uma semana, atrasando a entrega de bens essenciais, incluindo ajuda humanitária.

O relatório destaca ainda a persistência da ameaça de engenhos explosivos improvisados, bem como o agravamento da violência comunitária motivada por desinformação sobre a cólera. Em Fevereiro, foram registados pelo menos 13 incidentes deste tipo, que incluíram vandalização de infra-estruturas de saúde, agressões a profissionais e destruição de bens públicos.

De acordo com dados de monitorização de conflitos, a província de Cabo Delgado acumula cerca de 6.500 mortos desde o início da insurgência, em 2017, evidenciando a dimensão prolongada da crise. (DW)

Por: IZILDA CHILUNDO

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