O Governo russo acusou esta quinta-feira os Estados Unidos e Israel de provocarem deliberadamente o Irão e de “semearem a discórdia” no Médio Oriente, especialmente durante o mês sagrado do Ramadão, com o objetivo de provocar ataques de retaliação iranianos contra múltiplos países árabes.
Num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) russo, Moscovo considera que “os agressores tentam arrastar os árabes para uma guerra por interesses externos, desviando a atenção da situação catastrófica do povo palestiniano”. O comunicado critica ainda as recentes ofensivas israelitas no Líbano e a operação militar norte-americana contra o Irão, acusando-as de desencadear uma “reação em cadeia” que está a aumentar o sofrimento da população civil.
A Rússia apelou ao fim imediato das hostilidades e considerou “completamente inaceitáveis” os ataques contra civis, seja no Irão ou nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). O MNE russo sublinhou que a única forma de evitar que a região mergulhe numa instabilidade ainda maior é cessar a agressão israelo-americana.
A escalada deste conflito ocorre seis dias após a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, de 86 anos, no poder desde 1989. Desde sábado, pelo menos 1.114 civis terão perdido a vida no Irão, segundo a ONG norte-americana Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), incluindo pelo menos 181 crianças, com quase 900 mortes adicionais ainda a serem confirmadas.
Os ataques de retaliação do Irão resultaram também na morte de seis soldados norte-americanos no Kuwait, juntamente com duas outras vítimas militares e uma criança, além de dez israelitas e outra vítima no Bahrein durante as primeiras vagas de ataques.
Moscovo manifestou profunda preocupação com a situação no Médio Oriente, reiterando que o derramamento de sangue e os ataques contra civis são inaceitáveis e defendendo o diálogo como única saída para restaurar a estabilidade na região.
Por: Joao Mbatine
