ARCOmadrid arranca com 13 galerias portuguesas e reforça aposta comercial

A 45.ª edição da ARCOmadrid arranca hoje na capital espanhola com forte presença portuguesa e ambição clara: consolidar mercado, reforçar internacionalização e atrair novos compradores. Ao todo, 13 galerias nacionais ou com atividade em Portugal integram o programa geral da feira, uma das mais relevantes plataformas comerciais de arte contemporânea na Europa.

Realizada na IFEMA, a feira deverá ultrapassar os 95 mil visitantes, entre colecionadores, curadores, diretores de museus e investidores culturais. Para as galerias portuguesas, o evento representa uma montra estratégica para vendas, contactos institucionais e expansão internacional.

Pela primeira vez, a Rede Portuguesa de Arte Contemporânea (RPAC) marca presença com um espaço expositivo permanente, resultado de um acordo entre a Direção-Geral das Artes (DGArtes) e a IFEMA.

O objetivo passa por apresentar a rede, a sua implantação no território nacional e os eixos estratégicos de dinamização da arte contemporânea portuguesa numa clara ação de diplomacia cultural com impacto económico.

Na sexta-feira, o diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues, fará a primeira apresentação internacional da RPAC, sob o título “Uma rede aberta ao mundo”, reforçando a mensagem de abertura ao mercado externo.

A agenda institucional inclui ainda a apresentação da coleção da Fundação EDP pelo diretor artístico do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), João Pinharanda, e a participação da curadora da CACE , Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Sandra Vieira Jürgens, no debate “Colecionismo Institucional”.

Estes momentos reforçam a presença pública portuguesa num espaço onde a dimensão cultural e a dimensão de mercado caminham lado a lado.

Portugal estará representado pelas galerias Balcony, Cristina Guerra Contemporary Art, Foco, Fortes D’Aloia & Gabriel, Francisco Fino, Jahn und Jahn, Kubikgallery, Lehmann, Mais Silva, Miguel Nabinho, Monitor, Pedro Cera e Vera Cortês.

A participação surge num contexto altamente competitivo: 170 galerias no programa geral e três secções comissariadas, num total de 31 países representados. A América Latina volta a ter forte peso, com destaque para Brasil e Argentina.

A ARCOmadrid integra a chamada “Semana da Arte” de Madrid, que inclui outras feiras paralelas, como a Art Madrid e a Contemporary Art Now (CAN). Também aqui há presença portuguesa, reforçando a estratégia de internacionalização do setor.

Durante estes dias, está prevista a visita da ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, numa deslocação que combina diplomacia cultural e promoção da arte portuguesa junto de colecionadores e instituições espanholas.

Mais do que uma vitrina artística, a ARCOmadrid é um barómetro do mercado. Num contexto internacional marcado por incerteza económica, a presença portuguesa procura afirmar-se não apenas pela qualidade curatorial, mas pela capacidade de gerar negócio, captar investimento e posicionar artistas nacionais em circuitos globais.

Para as galerias portuguesas, o desafio é claro: transformar visibilidade em vendas e contactos em oportunidades duradouras. (NM)

Por: IZILDA CHILUNDO

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