As vítimas das inundações nos centros de acolhimento em Xai-Xai denunciam alegados desvios de donativos e exigem novas investigações ao longo de toda a cadeia de gestão provincial e distrital. Os afectados acusam o Governo de negligência, devido à desactivação de centros de acolhimento sem avaliação prévia das condições nas zonas baixas da cidade.
A situação voltou a ganhar destaque na última semana de Fevereiro, após a detenção de altas chefias do governo provincial, suspeitas de desvio de produtos destinados às vítimas. Seis dos dez arguidos encontram-se em prisão preventiva, no âmbito de processos-crime relacionados com o alegado desvio de alimentos, material higiênico e colchões nos centros de acolhimento de Xai-Xai.

Os relatos das vítimas evidenciam a gravidade da situação. “Não temos alimento, não temos sabão, mas sempre recebemos apoio. A mamã Gueta deixou enxadas e cimento, mas já não falam disso aí”, afirmou uma das pessoas afectadas. Mariana Leontina denunciou que produtos doados, como óleo alimentar e mantas, não chegaram aos beneficiários.
A desactivação de centros de acomodação é outro motivo de revolta para cerca de 400 famílias ainda alojadas, e mais de 5 mil pessoas que perderam tudo enfrentam agora a obrigatoriedade de regressar às suas casas, muitas das quais ainda alagadas. Rinalda, vítima das cheias, afirma: “Eles estão expulsar-nos, mas a minha casa ainda tem água há duas semanas.” Maria questiona a decisão: “Porque é obrigação para a gente sair? Eles nem conversaram connosco, só disseram que amanhã temos de sair.”

A nossa equipa de reportagem constatou que o acesso às zonas residenciais continua difícil, com vias alternativas degradadas e centenas de casas ainda submersas. No bairro Malhangalene, muitas residências foram destruídas, deixando famílias em situação de insegurança e sem locais para dormir. Armando Matavele, que regressou à sua casa, relatou: “As águas levaram tudo e colocaram a casa no chão (…) agora somos sete pessoas a viver aqui, mas temos espaço para quatro.”
O cenário repete-se em vários bairros da cidade, como Malhangalene B, 1, B e 12, evidenciando que mais de 35 mil famílias vivem dias de extrema incerteza no período pós-cheias em Xai-Xai. A exigência das vítimas é clara: responsabilização dos gestores de donativos e garantia de que os apoios cheguem efectivamente a quem deles necessita.
Por: Joao Mbatine
