Moçambique com mais 200 casos de cólera em apenas dois dias

O País registou 200 novos casos de cólera em apenas dois dias, dos quais 95 foram notificados entre quarta e quinta-feira, de acordo com o mais recente boletim da Direcção Nacional de Saúde Pública (DNSP), divulgado ontem.

Com a actualização dos dados, Moçambique soma perto de 6.300 casos desde o início do surto, em Setembro de 2025, e um total acumulado de 72 óbitos. Os números confirmam que a doença continua a representar um desafio relevante para o sistema nacional de saúde, exigindo respostas coordenadas das autoridades e maior envolvimento das comunidades.

A província de Nampula continua a concentrar o maior número de infecções, com 2.763 casos e 32 mortes registadas até ao momento. Segue-se Tete, que contabiliza 2.336 casos e 28 óbitos. Já Cabo Delgado acumula 958 casos e oito mortes.

Em menor escala, a Zambézia regista 102 casos e um óbito. Manica soma 89 casos e dois mortos, enquanto Sofala apresenta 45 casos e uma vítima mortal. Este mês foram igualmente identificados casos isolados na cidade de Maputo e na província de Gaza, com um registo em cada local.

Para além das implicações sanitárias, o recrudescimento da cólera começa a reflectir-se no tecido económico, sobretudo nas zonas com maior incidência. Actividades como o comércio informal, a agricultura e as pequenas e médias empresas podem ser afectadas pela redução da mobilidade, pela diminuição da força de trabalho e pelo aumento dos custos operacionais.

Analistas defendem que o controlo célere do surto é fundamental não apenas para proteger vidas, mas também para preservar a estabilidade social e assegurar a continuidade das actividades económicas nas províncias afectadas.

As autoridades sanitárias reforçam o apelo à adopção rigorosa de medidas preventivas, com destaque para a lavagem frequente das mãos, o consumo de água tratada ou fervida e a correcta conservação dos alimentos.

O combate à cólera passa igualmente pelo reforço do acesso à água potável, melhoria das condições de saneamento e intensificação das campanhas de sensibilização comunitária, factores considerados determinantes para conter a propagação da doença e reduzir o número de vítimas.

Por: IZILDA CHILUNDO

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