As trocas comerciais entre países africanos continuam abaixo de 20%, um nível considerado reduzido face ao potencial económico do continente e aos compromissos assumidos no quadro da Zona de Comércio Livre Continental Africana, acordo que integra 55 Estados.
O dado foi destacado pela Primeira-ministra, Benvinda Levi, ao abordar os desafios estruturais do comércio regional, defendendo a adopção de mecanismos mais eficazes que permitam transformar o comércio num verdadeiro instrumento de desenvolvimento e redistribuição de riqueza.
Para a governante, o comércio deve ser encarado como motor de transformação estrutural, com impacto directo na industrialização, criação de emprego digno, redução da pobreza e promoção da prosperidade partilhada. “É também um imperativo de segurança alimentar”, sublinhou.
Entre os principais constrangimentos apontados estão a insegurança alimentar, o défice energético que afecta centenas de milhões de pessoas, a dependência excessiva da exportação de matérias-primas e a vulnerabilidade a choques externos.
“Temos de transformar este potencial em prosperidade real para os nossos povos”, afirmou.
Para inverter o actual cenário, Levi defende reformas estruturais nas políticas comerciais, incluindo uma revisão equilibrada das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), com reforço do sistema de resolução de litígios e reconhecimento das assimetrias estruturais das economias africanas.
A governante advoga ainda uma abordagem mais justa nas negociações agrícolas, capaz de corrigir distorções que penalizam produtores africanos, bem como a criação de um enquadramento regulatório para o comércio electrónico que promova inclusão digital, transferência de tecnologia e capacitação técnica.
Especialistas defendem que o reforço do comércio intra-africano poderá reduzir a dependência de mercados externos, estimular cadeias de valor regionais e aumentar a resiliência das economias face a choques globais. Contudo, para tal, será necessário melhorar infra-estruturas logísticas, harmonizar políticas fiscais e aduaneiras e reforçar mecanismos de financiamento ao sector produtivo.
Com menos de um quinto das trocas comerciais realizadas dentro do próprio continente, África enfrenta o desafio de transformar compromissos políticos em resultados económicos concretos.
Por: Joao Mbatine
