As petrolíferas TotalEnergies e ExxonMobil preveem movimentar anualmente 400 navios de gás natural na península de Afungi, em Cabo Delgado, norte de Moçambique, e avançaram com um concurso conjunto para a contratação de sete barcos e rebocadores de apoio.
Segundo o edital, a manifestação de interesse visa a prestação de serviços marítimos para a Área 1 (Mozambique LNG), liderada pela TotalEnergies, e para a Área 4 (Rovuma LNG), liderada pela ExxonMobil, que ainda aguarda a decisão final de investimento, mas já iniciou o procedimento conjunto.
As concessionárias procuram “serviços seguros, eficientes e confiáveis de transporte, carregamento e descarregamento” de Gás Natural Liquefeito (GNL) “desde os locais de produção até aos mercados globais”. O pacote inclui cinco rebocadores com 80 toneladas de tração estática, um barco-piloto e dois barcos de trabalho. O edital prevê, anualmente, 160 navios-tanque de GNL e dez navios-tanque de condensado para a Área 1, e 220 navios-tanque de GNL e 15 navios-tanque de condensado para a Área 4.
O Presidente Daniel Chapo perspectivou, em 29 de Janeiro, o início da construção do megaprojeto de gás Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil, dentro de cerca de um ano. “O Governo, em colaboração com as concessionárias, tem tomado medidas para assegurar a sustentabilidade das operações e a segurança na província de Cabo Delgado e no país em geral. Reafirmamos o nosso compromisso de, nos próximos 12 a 18 meses, testemunhar o arranque da construção do Rovuma LNG”, declarou o Presidente.
A retoma do megaprojeto da TotalEnergies na Área 1, avaliado em 20 mil milhões de dólares (17,5 mil milhões de euros), ocorre quase cinco anos após ter sido acionada a cláusula de ‘força maior’ devido a ataques extremistas, levantada em Outubro pelo consórcio da Área 1 da Bacia do Rovuma.
Em Novembro, a ExxonMobil anunciou a suspensão da declaração de ‘força maior’ para o Rovuma LNG, passo essencial para a Decisão Final de Investimento (FID), prevista para 2026. O projeto deverá produzir 18 milhões de toneladas por ano (mtpa) de GNL na Área 4, a maior prevista em África, enquanto a Área 1, liderada pela TotalEnergies, prevê entregas a partir de 2029, com capacidade de 13 mtpa.
Na mesma bacia, o consórcio liderado pela Eni já produz cerca de sete mtpa através da plataforma flutuante Coral Sul, em operação desde 2022, e assinou a FID para a Coral Norte, que duplicará a produção de GNL a partir de 2028, num investimento de 7,2 mil milhões de dólares (6,1 mil milhões de euros).
O concurso lançado pelas duas petrolíferas reforça a capacidade logística e marítima necessária para suportar os megaprojetos de GNL em Cabo Delgado e marca um passo estratégico no desenvolvimento energético de Moçambique.
Por: Joao Mbatine.
