Modernizar a mobilidade: novo sistema de eVisa posiciona Moçambique como destino mais competitivo

A digitalização das fronteiras levanta, habitualmente, duas questões centrais: quem suporta o investimento e quais os benefícios concretos para os cidadãos e para os viajantes? O novo sistema de eVisa e ETA (Autorização Electrónica de Viagem) de Moçambique surge como resposta estruturada a estas preocupações, ao assentar num modelo de parceria público-privada (PPP) que não implica custos directos para o Estado e que reforça, simultaneamente, a competitividade do destino.

Disponível através de um portal único e totalmente digital, a plataforma permite a cidadãos de 183 países submeterem pedidos online, simplificando procedimentos e reduzindo incertezas. Para além da componente administrativa, o sistema assume uma dimensão estratégica ao reforçar a visibilidade internacional da iniciativa Visit Mozambique, promovendo o país desde a fase inicial de planeamento das viagens.

Segundo a VFS Global, que opera em Moçambique há 15 anos, o projecto transfere o investimento inicial e o risco operacional diário para o parceiro privado, assegurando padrões tecnológicos e de serviço alinhados com as melhores práticas internacionais. A empresa já presta serviços a governos como o Reino Unido, Portugal, Países Baixos e Itália, mantendo centros em Maputo e empregando maioritariamente quadros moçambicanos.

Um sistema moderno de vistos é, hoje, reconhecido como catalisador do desenvolvimento económico, particularmente no sector do turismo. A plataforma actualizada de eVisa e ETA posiciona Moçambique como um destino mais acessível, previsível e competitivo, reforçando a atractividade das suas praias, parques naturais e oferta de turismo de natureza e safari.

Com automação avançada, pagamentos internacionais seguros, tecnologia de leitura óptica de documentos (OCR) e apoio multilingue permanente — incluindo contact centre, chat e canais assistidos por inteligência artificial — o sistema promete reduzir erros, acelerar decisões e aumentar a confiança dos viajantes. Companhias aéreas e operadores turísticos beneficiam igualmente de maior previsibilidade nos processos de embarque e chegada.

Para o Governo, o modelo prevê transferências diárias de receitas, painéis de controlo em tempo real e relatórios transparentes de desempenho, reforçando a capacidade de planeamento e a consolidação macroeconómica. As decisões sobre concessão de vistos mantêm-se sob exclusiva responsabilidade das autoridades moçambicanas.

No âmbito da PPP, o financiamento dos serviços é assegurado através de um modelo de utilizador-pagador, prática comum a nível internacional. O parceiro privado assume riscos comerciais, tecnológicos e operacionais — incluindo cibersegurança, flutuações na procura e actualizações do sistema — sem encargos para o erário público.

A separação de responsabilidades é clara: o Estado define políticas, critérios de elegibilidade e taxas base, enquanto a VFS Global gere o processamento administrativo, a fiabilidade tecnológica e o apoio ao cliente. A soberania nas decisões permanece integralmente com o Governo de Moçambique.

O novo enquadramento digital foi concebido para funcionar 24 horas por dia, com capacidade de adaptação ao aumento da procura e reforço contínuo de segurança. Em mercados estratégicos de origem, Centros de Apoio complementam a solução digital, oferecendo assistência presencial a candidatos menos familiarizados com ferramentas electrónicas.

Para os promotores do projecto, a modernização do sistema de vistos não representa apenas uma actualização tecnológica, mas sim a criação de um ecossistema digital robusto, capaz de impulsionar o turismo, reforçar a transparência administrativa e proteger as finanças públicas.

Num contexto global cada vez mais competitivo, Moçambique aposta, assim, numa infraestrutura de mobilidade moderna, orientada para a eficiência, a segurança e o crescimento sustentável do sector turístico até 2031.

Por: Joao Mbatine

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