FMI frustra expectativas do Governo: Metical está sobrevalorizado, alerta especialista

As esperanças do Governo moçambicano em obter a aprovação de um novo empréstimo pelo Fundo Monetário Internacional foram frustradas na terça-feira, 17 de fevereiro, pelo Conselho Executivo da instituição, que não discutiu qualquer novo programa de financiamento. O Presidente Daniel Chapo tinha manifestado publicamente sua expectativa de apoio financeiro que impulsionasse investimentos e ajuda externa.

Segundo o especialista Joseph Hanlon, o Metical está sobrevalorizado e seu valor real seria aproximadamente de US$ 1 = 90 MT, em contraste com a taxa oficial média de 63,9 MT dos últimos cinco anos. Esta sobrevalorização torna as importações mais baratas e as exportações menos competitivas, prejudicando produtores locais de alimentos, como arroz e oleaginosas.

A missão do FMI, realizada entre 12 e 21 de novembro, adotou uma linha dura, apoiada hoje pelo Conselho Executivo. Entre as exigências mantidas destacam-se uma desvalorização substancial do Metical, reformas fiscais e salariais significativas, além da ampliação da base tributária e da melhoria na gestão da dívida pública. O Conselho também sublinhou a importância de comunicar claramente os objetivos das reformas para garantir apoio público e confiança nos processos.

O impacto das medidas é complexo. Por um lado, a implementação de uma taxa de câmbio realista poderia reduzir a dependência de importações e aumentar a produção local, gerando empregos. Por outro, a capacidade do Governo de Chapo de atender às exigências do FMI é limitada pelo controle da Frelimo sobre setores lucrativos, clientelismo e resistência a concessões políticas.

Hanlon alerta que, sem reformas estruturais profundas, o país continua vulnerável à corrupção, à pobreza e à falta de empregos, problemas que persistem mesmo com medidas de repressão a protestos e intervenção militar em regiões insurgentes do norte do país.

O especialista conclui que a rejeição das solicitações do Governo pelo FMI demonstra a disposição da instituição de manter a disciplina econômica, mesmo diante de tensões sociais significativas.

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