O norte da Etiópia enfrenta risco de nova escalada militar, com tropas federais e forças do Tigray a movimentarem-se junto à fronteira interna, reacendendo temores de um retorno ao conflito que devastou a região entre 2020 e 2022.
Segundo agências internacionais, várias fontes diplomáticas confirmam que o exército federal está a posicionar unidades em diversos pontos próximos do Tigray, enquanto as forças regionais também avançam para zonas fronteiriças. Analistas consideram estas movimentações invulgares e indicativas de possível escalada.
Amdom Gebreselassie, presidente da Arena Tigray para a Democracia e Soberania, em Mekelle, afirmou à DW que “a Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF) está militarmente ativa na região”. Ele alerta que as forças Shabia da Frente Popular de Libertação da Eritreia (EPLF) estão a infiltrar pessoal de inteligência, enquanto tropas federais permanecem mobilizadas, elevando o risco de guerra.
Entre 2020 e 2022, o Tigray foi palco de um conflito envolvendo tropas federais, milícias aliadas e o exército da Eritreia, causando centenas de milhares de mortos, segundo estimativas da União Africana. Apesar do Acordo de Paz de Pretória, este nunca foi plenamente implementado, e confrontos em janeiro levaram à suspensão temporária de voos para a região.
O especialista jurídico e analista político Mustafa Abdu recorda que os “fantasmas” do conflito continuam presentes, com a população vivendo em situação desesperadora. “A guerra atingiu profundamente o povo de Tigray. É desanimador ver o conflito prestes a recomeçar”, afirmou.
A TPLF, a Shabia e a FANO anunciaram recentemente uma aliança militar para defender Tigray. As relações entre Etiópia e Eritreia deterioraram-se, com Adis Abeba a acusar Asmara de fornecer armas a grupos armados do Tigray, algo negado pelo governo eritreu.
O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, apelou recentemente a medidas urgentes para evitar um novo conflito. Especialistas afirmam que a guerra ainda pode ser evitada, desde que o Acordo de Paz de Pretória seja respeitado e se promova diálogo imediato entre as partes.
