Rogério Uthui acusa Governo de evitar pagamento de horas extras aos professores

O académico e comentador Rogério Uthui acusa o Governo de estar a tentar evitar o pagamento de horas extraordinárias aos professores ao introduzir um terceiro turno no ensino secundário e ao transferir alunos do regime pós-laboral para o período diurno.

Antigo reitor da Universidade Pedagógica, Uthui considera que a medida surge num contexto de défice de cerca de 12 mil professores no sistema nacional de educação. Segundo explica, a ausência desses docentes tem sido suprida por professores em funções, que acabam por leccionar acima da carga horária normal, acumulando horas extras que, há mais de três anos, não estariam a ser pagas.

“No sistema há 12 mil professores em falta. Os que estão presentes fazem mais horas do que deviam, logo acumulam horas extras que têm de ser pagas. Durante mais de três anos, o Estado não pagava essas horas. Este é o principal problema que a ministra encontrou”, afirma.

Para o académico, a introdução do terceiro turno e a integração de alunos do nocturno no diurno poderão reduzir a necessidade de pagamento de horas extraordinárias. Contudo, alerta que a medida pode comprometer a qualidade de ensino, uma vez que os estudantes poderão ter menos 200 horas lectivas por ano, dificultando o cumprimento integral dos conteúdos programáticos.

Uthui defende que o Executivo deve repensar a decisão até ao final de Fevereiro e propõe como alternativa a contratação dos 12 mil professores em falta, bem como o investimento na construção de 35 mil salas de aula para suprir o défice existente.

“Nós temos de olhar para a educação como investimento e não como custo. Isso vai obrigar-nos a investir muito mais no sector”, sustenta.

Num outro desenvolvimento, Rogério Uthui comenta a promessa da Primeira-Dama, Gueta Chapo, de oferecer capulanas a mulheres moçambicanas por ocasião do Dia da Mulher Moçambicana, celebrado a 7 de Abril.

Embora elogie a iniciativa, o académico alerta para a necessidade de transparência quanto à origem dos apoios. Uthui recorda que o Presidente da República, Daniel Chapo, tem sido crítico em relação a alegados cartéis económicos que actuam no país, sublinhando que, historicamente, alguns empresários envolvidos em práticas ilícitas procuram associar-se a causas sociais para melhorar a sua imagem pública.

O comentador defende, por isso, maior vigilância e clareza na mobilização de apoios para iniciativas de carácter social, de modo a evitar eventuais contradições com o discurso governamental de combate à corrupção e ao crime organizado.

fonte: jornal o País

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