Dez promessas que ficaram pelo caminho no governo Luiz Inácio Lula da Silva

Eleito em 2022 com um discurso de reconstrução institucional, fortalecimento social e recuperação da credibilidade internacional do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega ao último ano do atual mandato cercado por cobranças quanto a compromissos assumidos durante a campanha. Parte das promessas anunciadas ao longo do processo eleitoral não se concretizou ou avançou apenas parcialmente, abrindo espaço para críticas da oposição e debates sobre coerência entre discurso e prática administrativa.

Entre os pontos mais lembrados está a simbólica promessa de que o brasileiro voltaria a “comer picanha e tomar cerveja”. Apesar de uma queda inicial nos preços da carne no primeiro ano de governo, dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam novas altas nos anos seguintes, tanto na carne quanto na bebida. Pesquisas de opinião também registraram percepção majoritária de aumento no custo de vida nos supermercados.

Outra promessa amplamente divulgada foi o fim do chamado “sigilo de 100 anos”. Embora o governo tenha revisto decisões da gestão anterior, a possibilidade de aplicação do dispositivo permanece prevista na Lei de Acesso à Informação (LAI), especialmente em casos que envolvem dados pessoais. A manutenção do mecanismo gerou críticas de incoerência por parte de adversários políticos.

No campo político, Lula havia afirmado durante a campanha que cumpriria apenas um mandato. Em declarações posteriores, no entanto, confirmou a intenção de disputar a reeleição em 2026, o que foi interpretado pela oposição como mudança de posicionamento.

Na área da segurança pública, a proposta de criação de um Ministério da Segurança Pública, separado da Justiça, também não saiu do papel. A iniciativa depende de aprovação de mudanças constitucionais e enfrenta resistência no Congresso Nacional e entre governadores.

No cenário internacional, o governo intensificou a agenda diplomática e buscou ampliar a presença do Brasil em fóruns multilaterais. Ainda assim, críticos avaliam que o protagonismo pretendido não se traduziu em maior influência concreta nas decisões globais.

A proposta de regulamentação das redes sociais, defendida antes e após as eleições, igualmente não avançou no Congresso. O chamado “PL das Fake News” perdeu força diante de divergências políticas e questionamentos sobre possíveis impactos à liberdade de expressão.

No campo ambiental, a prometida criação de uma Autoridade Climática, defendida como instrumento estratégico de coordenação de políticas ambientais, acabou engavetada em meio a divergências internas no próprio governo.

A revisão da reforma trabalhista de 2017, outro compromisso de campanha, não foi formalmente encaminhada ao Congresso. O Executivo passou a destacar indicadores positivos do mercado de trabalho, mas não apresentou proposta estruturada de alteração ampla da legislação.

A regulamentação do trabalho por aplicativos também permanece indefinida. Apesar da criação de grupos de diálogo e da apresentação de propostas preliminares, não houve consenso entre governo, empresas e trabalhadores.

Já propostas mais recentes, como o fim da escala 6×1 e a implementação de transporte público gratuito em escala nacional, ganharam espaço no discurso político, mas ainda carecem de estudos conclusivos, definição de financiamento e tramitação legislativa.

Por outro lado, medidas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e a reformulação do vale-gás, rebatizado de “Gás do Povo”,foram aprovadas e incorporadas à agenda econômica do governo, embora também enfrentem críticas quanto ao impacto fiscal.

Ao chegar ao último ano de mandato, o presidente enfrenta o desafio de transformar compromissos em entregas concretas, enquanto a oposição promete intensificar a cobrança no Congresso e no debate público. O cenário deve influenciar diretamente a disputa eleitoral de 2026, caso a candidatura à reeleição seja confirmada.

Por: Jaime Alberto

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