A comunidade académica em Moçambique, África do Sul, Portugal e em vários países do Sul Global está de luto com a morte da antropóloga, historiadora e epistemóloga moçambicana Maria Paula Meneses, ocorrida em Portugal, onde residia e exercia actividade académica. A académica faleceu vítima de doença, aos 62 anos de idade.
A informação foi confirmada na tarde de domingo por diversas fontes ligadas ao meio académico, incluindo estudantes, docentes e amigos, que recorreram às redes sociais para prestar homenagens. Maria Paula Meneses é amplamente reconhecida como uma das investigadoras que mais contribuiu para o desenvolvimento das ciências sociais críticas, tanto em Moçambique como a nível internacional.
Natural de Maputo, Maria Paula Meneses era doutorada em Antropologia pela Universidade de Rutgers, nos Estados Unidos da América, e mestre em História pela Universidade de São Petersburgo, na Rússia. Ao longo da sua carreira, destacou-se pela produção intelectual sólida e pela formação de várias gerações de investigadores e pensadores.
Foi docente da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e, nos últimos anos, exercia funções de investigadora no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, integrando o Núcleo de Estudos sobre Democracia, Cidadania e Direito.
As suas investigações incidiam sobretudo nos debates pós-coloniais, no pluralismo jurídico, com particular enfoque nas relações entre o Estado e as autoridades tradicionais em contextos africanos, bem como no papel da história oficial, da memória e das narrativas silenciadas na construção das identidades contemporâneas. O seu trabalho dialogava essencialmente com o espaço geopolítico africano, conferindo centralidade aos saberes do Sul Global.
A morte de Maria Paula Meneses representa uma perda significativa para o pensamento crítico africano e para a produção académica comprometida com a justiça social, a democracia e a valorização
