O líder da oposição da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, foi libertado da prisão após ter permanecido detido durante 66 dias pelas forças militares que assumiram o poder na sequência do golpe de Estado ocorrido a 26 de Novembro de 2025.
Domingos Simões Pereira saiu da prisão da Segunda Esquadra, localizada junto ao Ministério do Interior, tendo sido colocado em prisão domiciliária. O dirigente é líder do PAIGC, antigo primeiro-ministro e ex-presidente do Parlamento, órgão que foi dissolvido de forma considerada inconstitucional.
A detenção ocorreu em Novembro do ano passado, no contexto do golpe de Estado levado a cabo pela junta militar que depôs o então Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló. Durante o período de reclusão, não foi formalizada qualquer acusação contra o político, tendo-lhe sido igualmente impostas severas restrições de contacto com o exterior.
Além de Domingos Simões Pereira, outros opositores políticos do regime deposto foram também detidos no mesmo período. Nos últimos dois meses, sob a liderança do Presidente de transição, o general Horta Inta-a, os militares procederam a alterações à Constituição, reforçando os poderes do Presidente da República, e anunciaram a realização de novas eleições gerais para o dia 6 de Dezembro.
Entretanto, Fernando Dias da Costa, que reclama vitória nas eleições presidenciais realizadas a 23 de Novembro, regressou à sua residência após ter beneficiado de asilo político na Embaixada da Nigéria, segundo informações divulgadas pela imprensa internacional.
O processo que culminou com a libertação de Domingos Simões Pereira contou com a mediação do Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye.
Recorde-se que, no dia 26 de Novembro de 2025, os militares tomaram o poder na Guiné-Bissau, afastaram o Presidente cessante e interromperam o processo eleitoral, sem divulgação dos resultados oficiais.
