O candidato presidencial da Guiné-Bissau que reclama vitória nas eleições de 23 de novembro de 2025, Fernando Dias da Costa, regressou na noite de sexta-feira (31) à sua residência, em Bissau, após várias semanas exilado na embaixada da Nigéria, confirmou à Lusa uma fonte do Partido da Renovação Social (PRS).
Fernando Dias, líder de uma das alas do PRS, procurou refúgio diplomático após o golpe de Estado militar de 26 de novembro de 2025, ocorrido antes da divulgação oficial dos resultados das eleições presidenciais e legislativas, nas quais se declarou vencedor.
De acordo com a mesma fonte, o político chegou à sua residência, situada nos subúrbios da capital, por volta das 21h30, acompanhado pelo ministro da Defesa do Senegal, general Birame Diop, enviado especial do Presidente senegalês, Bassirou Diomaye Faye, no âmbito da mediação regional para a resolução da crise política guineense.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram Fernando Dias a ser saudado por uma pequena multidão no momento da chegada a casa. Com o tradicional barrete vermelho, símbolo político associado ao PRS, o dirigente foi recebido por membros da ala do partido que o reconhece como sucessor político do falecido ex-Presidente Kumba Ialá.
O PRS encontra-se atualmente dividido, com outra ala alinhada com o Presidente deposto, Umaro Sissoco Embaló. Segundo a fonte partidária, a residência de Fernando Dias permanece cercada por militares e agentes da polícia, que limitam o acesso de pessoas ao local.
O regresso de Fernando Dias ocorre dias depois da libertação do líder do PAIGC e principal dirigente da oposição, Domingos Simões Pereira, que, após 66 dias de detenção, passou a cumprir prisão domiciliária.
Após o golpe de Estado de 26 de novembro de 2025, os militares depuseram o então Presidente Umaro Sissoco Embaló, suspenderam o processo eleitoral sem anunciar resultados oficiais e detiveram várias figuras da oposição, incluindo Domingos Simões Pereira.
O PAIGC, afastado das eleições por decisão judicial, apoiou Fernando Dias da Costa, que reivindica vitória na primeira volta das presidenciais.
Nos cerca de dois meses em que estiveram no poder, os militares procederam a alterações à Constituição da Guiné-Bissau, reforçando os poderes do Presidente da República, e marcaram novas eleições gerais para o dia 6 de dezembro de 2026.
Entretanto, dirigentes e militantes do PAIGC defenderam, esta sexta-feira, a criação de uma direção de transição no partido, alegando que Domingos Simões Pereira não reúne condições para liderar a organização enquanto se encontra em prisão domiciliária. O congresso do partido está previsto para novembro próximo.
