A União Europeia negou estar a lançar ou a financiar uma plataforma de redes sociais denominada “W”, contrariando informações que circulam nas redes sociais e que apontavam para a criação de uma alternativa europeia ao X (antigo Twitter), alegadamente sustentada por fundos públicos e destinada ao controlo do discurso online.
Em esclarecimento prestado à imprensa, a Comissão Europeia garantiu que não existe qualquer projecto comunitário com esse nome, nem planos para o desenvolvimento de uma rede social própria da UE.
As alegações, amplamente difundidas na Internet, defendiam que a nova plataforma seria financiada com dinheiro dos contribuintes europeus e funcionaria como um mecanismo de censura. No entanto, segundo fontes oficiais, tais informações não correspondem à verdade.
Empresa privada sediada na Suécia
A plataforma W é, na realidade, uma iniciativa privada, registada na Suécia, e financiada exclusivamente por investidores privados, sobretudo da região nórdica. A directora-executiva da empresa, Anna Zeiter, explicou que o projecto foi apresentado recentemente no Fórum Económico Mundial, em Davos, e não beneficia de qualquer apoio financeiro da União Europeia.
Um dos principais accionistas da W é a empresa sueca We Don’t Have Time, que detém 25% do capital social. Esta empresa confirmou ter recebido financiamento europeu no passado para projectos de comunicação climática, mas sublinhou que tais fundos não têm qualquer ligação com a nova plataforma digital.
Sem controlo direto da UE
Contrariamente ao que tem sido veiculado, a União Europeia não exerce controlo directo sobre os conteúdos da W. Tal como outras plataformas digitais que operam no espaço europeu, a W estará apenas sujeita à Lei dos Serviços Digitais, que obriga as empresas a combater conteúdos ilegais e a garantir transparência nos mecanismos de moderação.
A legislação não confere à Comissão Europeia poderes para moderar conteúdos, aplicando-se de forma transversal a todas as grandes plataformas digitais, incluindo o X e a Meta.
Foco na segurança e identidade
A empresa afirma que pretende diferenciar-se pelo reforço da verificação de identidade dos utilizadores, com o objectivo de reduzir a presença de perfis falsos e bots. Os dados deverão ser alojados em servidores europeus, pertencentes a empresas do continente, e a plataforma limita o investimento a entidades europeias.
Contexto de soberania tecnológica
O surgimento da W ocorre num momento em que a União Europeia debate a necessidade de reforçar a sua soberania tecnológica, reduzindo a dependência de infraestruturas digitais estrangeiras. Recentemente, o Parlamento Europeu aprovou resoluções a apelar ao fortalecimento das capacidades europeias em áreas como computação em nuvem, semicondutores e inteligência artificial.
Apesar disso, Bruxelas esclarece que não existe qualquer iniciativa oficial para a criação de uma rede social europeia financiada pelo bloco comunitário.
