O processo eleitoral para o secretariado-geral da Organização da Mulher Angolana (OMA), em 2026, ficou marcado pela renúncia inesperada de Graciete Sungua, transformando uma disputa inédita em um processo de candidatura única. O episódio gerou suspeitas de interferência política e reacendeu críticas sobre a democracia interna do MPLA.
Inicialmente, a corrida prometia ser histórica, com duas candidatas aprovadas pelo Bureau Político do MPLA em 19 de janeiro: Emília Carlota Dias e Graciete Sungua. No entanto, apenas um dia depois, Sungua anunciou sua renúncia, fato que levantou questionamentos sobre pressões internas e coação política. A ex-candidata optou por não comentar o episódio.
Para especialistas e ativistas, como Amadeu Lucas, o caso é um golpe à imagem do MPLA. “Estamos diante de uma tinta indelével que mancha tudo quanto o partido criou”, afirmou, referindo-se à suposta interferência na candidatura de Sungua. O ativista Cruz de Deus reforçou a crítica, dizendo que “o MPLA não é democrático” e que a desistência de Sungua teria ocorrido para favorecer a candidata que agrada à direção do partido.
Agora, Emília Carlota Dias, deputada do MPLA e ex-primeira vice-presidente da Assembleia Nacional, assume como candidata única. Dias já contava com forte apoio do Comité Nacional da OMA, obtendo 115 votos em comparação com os 49 votos de Sungua.
O 8.º Congresso Ordinário da OMA, marcado para ocorrer entre 28 de fevereiro e 1 de março, em Luanda, reunirá mais de 2.500 delegadas de Angola e da diáspora. Além da eleição da nova secretária-geral, o evento definirá orientações estratégicas para o quinquénio 2026–2031.
O episódio evidencia tensões internas no MPLA em um ano pré-eleitoral, levantando questões sobre a abertura democrática dentro do partido e o papel de influências externas, incluindo figuras políticas como Tchizé dos Santos, apontada por Cruz de Deus como apoiadora de Sungua.
