África dividida sobre candidatura de Macky Sall à liderança da ONU

A candidatura do antigo Presidente do Senegal, Macky Sall, ao cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas está a expor fissuras dentro do bloco africano.

Apesar de ter sido proposta pelo Burundi, a iniciativa enfrenta resistência significativa entre Estados-membros da União Africana.

O atual secretário-geral, António Guterres, termina o seu segundo e último mandato no final de 2026, abrindo espaço para uma sucessão altamente disputada.

Sall posiciona-se como um reformista, defendendo uma ONU “mais simples, moderna e adaptada aos desafios do século XXI”.

No entanto, a candidatura enfrenta um obstáculo central: a falta de consenso africano. O próprio Senegal distanciou-se formalmente da iniciativa, afirmando não ter apoiado a nomeação. Países influentes como África do Sul, Argélia, Ruanda e Libéria também manifestaram oposição.

A forma como a candidatura foi apresentada agravou as divisões. O Presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, submeteu o nome de Sall pouco depois de uma cimeira da União Africana, criando a perceção de que existia um respaldo continental mais amplo do que o real.

Tentativas posteriores de validar a candidatura através do chamado “procedimento de silêncio” mecanismo que aprova decisões na ausência de objeções formais falharam, após cerca de 20 países quebrarem o silêncio e bloquearem a proposta.

O processo foi criticado por vários Estados, com destaque para o Ruanda, que considerou a iniciativa uma violação das normas institucionais da União Africana e um desrespeito pelos seus mecanismos de decisão.

Sob uma ótica estratégica, a fragmentação africana reduz significativamente o peso do continente na disputa por cargos de topo em organismos multilaterais. A ausência de um candidato consensual enfraquece a capacidade negocial de África num momento em que outras regiões tendem a apresentar frentes mais coesas.

Para investidores e parceiros internacionais, este episódio sinaliza desafios persistentes de coordenação política dentro da União Africana, o que pode refletir-se na previsibilidade de decisões regionais. Por outro lado, o debate sobre a reforma da ONU tema central na candidatura de Sall  continua a ser relevante para mercados globais, especialmente em áreas como governação internacional, segurança e desenvolvimento sustentável.

Num cenário competitivo, a viabilidade da candidatura dependerá menos da ambição individual e mais da capacidade de construir alianças sólidas algo que, até ao momento, permanece em falta. (DW)

Por: IZILDA CHILUNDO

Relacionados

Leave a Comment