Gás em Cabo Delgado: Jovens pedem mais formação e acesso a oportunidades nos megaprojetos

A retoma das obras do projeto de gás natural na península de Afungi, no distrito de Palma, província de Cabo Delgado, está a reacender as expectativas entre os jovens locais, que veem nos megaprojetos uma oportunidade concreta de emprego e desenvolvimento económico. No entanto, apesar dos avanços registados, persistem apelos por mais formação técnica, bolsas de estudo e acesso a posições de maior responsabilidade.

Nos últimos meses, autoridades locais e empresas envolvidas nos projetos de gás têm promovido programas de capacitação de mão-de-obra local, com foco em áreas técnicas como carpintaria, serralharia, eletricidade, mecânica e canalização. Estas iniciativas incluem também bolsas de estudo para formação técnico-profissional e ensino superior, com o objetivo de preparar jovens para integrarem o setor energético.

Entre as iniciativas recentes, destaque para a atribuição de 38 bolsas de estudo no âmbito do Programa de Empoderamento Pessoal e Académico (PEPA), financiado por um dos projetos de exploração de gás na bacia do Rovuma. A iniciativa visa fortalecer as competências locais e reduzir a dependência de mão-de-obra estrangeira.

Para muitos jovens, estas oportunidades representam uma mudança significativa. Mane Jabu, residente em Pemba, afirma que já se nota maior inclusão de trabalhadores locais. Segundo o jovem, tem sido possível observar a deslocação de carpinteiros, eletricistas e outros técnicos para Palma, onde decorrem os trabalhos preparatórios.

“Se este ritmo continuar, teremos uma realidade diferente. Mais jovens empregados significam menos desemprego e maior desenvolvimento para Cabo Delgado e para o país”, afirmou.

Também beneficiário de uma bolsa de formação, Igor Camilo pretende especializar-se em engenharia geológica para participar diretamente nos projetos energéticos da região. O jovem acredita que a qualificação será determinante para garantir oportunidades futuras.

Apesar dos progressos, ativistas e membros da sociedade civil consideram que ainda existem desafios importantes. Feliciano Atanásio reconhece que há mais oportunidades, mas defende que os jovens locais continuam afastados de cargos de liderança e gestão.

Segundo o ativista, muitos jovens conseguem emprego em funções técnicas ou subcontratadas, mas raramente ocupam posições estratégicas dentro das empresas. Para Atanásio, o verdadeiro impacto dos megaprojetos dependerá da capacidade de integrar quadros locais em funções de decisão.

A retoma dos projetos de gás em Cabo Delgado representa também uma oportunidade estratégica para dinamizar a economia local e nacional. O aumento da procura por serviços técnicos, logística, construção civil e comércio pode estimular o surgimento de pequenas e médias empresas locais, criando uma cadeia de valor mais ampla.

Especialistas consideram que a aposta na formação de jovens e na inclusão de empresas locais poderá aumentar a retenção de riqueza no país, reduzindo desigualdades regionais e fortalecendo o tecido empresarial moçambicano.

Com os megaprojetos a entrarem numa nova fase, a expectativa é de que a combinação entre investimento, qualificação profissional e inclusão económica possa transformar Cabo Delgado num polo energético e económico de referência na África Austral. (DW)

Por: IZILDA CHILUNDO

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