Moçambique figura entre os mercados mais arriscados do continente africano para o ano de 2026, ocupando a terceira posição no ranking de prémio de risco de capital, segundo dados publicados pela Business Insider Africa. O país apresenta um Equity Risk Premium de 17,2%, indicador que reflecte a elevada percepção de risco por parte dos investidores internacionais.
Entre os principais factores que sustentam esta avaliação está a instabilidade na província de Cabo Delgado, que continua a afectar o ambiente de negócios. Apesar da retoma gradual das operações pela TotalEnergies, os atrasos nos projectos de gás natural liquefeito (LNG) implicaram custos elevados e adiaram receitas fiscais estratégicas para o Estado.
No plano macroeconómico, o peso da dívida pública e o recurso ao endividamento interno têm reduzido a liquidez no sistema financeiro. Este cenário limita o financiamento ao sector privado e mantém taxas de juro elevadas, factores que desincentivam o investimento directo estrangeiro e condicionam o crescimento empresarial.
O sector bancário continua a demonstrar resiliência, mas opera num contexto marcado por inflação e volatilidade cambial. A situação é agravada pela ocorrência de fenómenos climáticos extremos, que obrigam à reafectação de recursos públicos para a reconstrução de infraestruturas, atrasando investimentos estruturantes.
Apesar do quadro desafiante, a saída de Moçambique da Grupo de Acção Financeira Internacional no final de 2025 surge como um sinal positivo para o mercado. A medida poderá melhorar, a médio prazo, a confiança dos investidores e facilitar transacções internacionais.
O posicionamento de Moçambique no pódio do risco financeiro africano evidencia a necessidade de reformas estruturais, estabilidade institucional e previsibilidade económica.
Para o sector privado e investidores, o cenário apresenta uma dualidade: risco elevado, mas também potencial de retorno significativo, sobretudo em áreas estratégicas como energia, infraestruturas e recursos naturais, caso o país consiga mitigar os actuais constrangimentos.
Por: Joao Mbatine
