Joaquim Chissano defende instituições fortes para consolidar paz e coesão nacional

O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, defendeu que a construção de uma paz duradoura em Moçambique depende da existência de instituições fortes, transparentes e inclusivas, capazes de responder às necessidades dos cidadãos.

Falando em Maputo, durante um evento sobre Arquitetura de Paz promovido pelo Centro de Diálogo Ndzualo, Chissano sublinhou que a estabilidade nacional deve assentar na justiça social e na participação ativa das comunidades.

Segundo o antigo estadista, a consolidação da paz exige uma colaboração efectiva entre o Estado e a sociedade civil, com destaque para o papel dos jovens e das mulheres no processo de tomada de decisões.

“A paz exige instituições participativas e próximas dos cidadãos, bem como o envolvimento das comunidades na execução e nos benefícios das políticas públicas”, afirmou, perante uma audiência composta por académicos, membros da sociedade civil e representantes políticos

Signatário do Acordo Geral de Paz de 1992, Chissano alertou para a necessidade de o país valorizar soluções internas na resolução de conflitos, evitando uma dependência excessiva de modelos internacionais.

Embora reconheça o papel da Organização das Nações Unidas no apoio a processos de paz, destacou que nem todas as experiências internacionais são eficazes, apontando limitações estruturais, como as associadas ao Conselho de Segurança.

Num contexto marcado pelos desafios de segurança em Cabo Delgado e pela proximidade das celebrações do Dia da Mulher Moçambicana, Chissano apelou a uma participação mais activa das mulheres na identificação das causas dos conflitos e na construção de soluções sustentáveis.

As declarações reforçam a importância da estabilidade institucional como factor determinante para o desenvolvimento económico e social do país. Instituições sólidas e inclusivas contribuem para reforçar a confiança interna e externa, atrair investimentos e promover um ambiente favorável ao crescimento sustentável.
Por: Joao Mbatine

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