O líder da RENAMO, Ossufo Momade, reafirmou que não deixará a presidência do partido antes do congresso interno, em meio a pressões de membros descontentes. “Não é altura aqui de alguém dizer ‘vou ser presidente’.
Querer assaltar o poder não é a nossa regra, não é nosso vocabulário”, afirmou Momade durante reunião em Manica, marcada por forte presença policial e clima de tensão.
Há mais de um ano, setores internos da RENAMO exigem a saída de Momade. Entre os descontentes estão ex-guerrilheiros da guerra de 16 anos, que chegaram a ocupar delegações do partido em algumas regiões.
Apesar das críticas, Momade reforçou que a mudança de liderança ocorrerá apenas por votação interna no congresso, cuja data ainda será definida.
O encontro de 26 e 27 de março contou com nomes importantes do partido, como Manuel Bissopo, André Magibiri e Alfredo Magumisse. Momade destacou que “é falando que a gente se entende”, pedindo disciplina e união interna.
Ele também alertou que disputas internas e processos judiciais contra o partido, como a ação de António Muchanga, prejudicam a imagem da RENAMO e comprometem sua capacidade de atuar como alternativa política nas eleições que se aproximam.
Momade dirigiu-se aos contestatários: “Apelo para os irmãos abandonarem as delegações que impedem o pleno funcionamento. Chega de favorecer o inimigo! O nosso destino é ser alternativa de governação e colocarmos os superiores interesses do partido acima dos interesses pessoais”.
A estabilidade interna da RENAMO não é apenas uma questão política: impacta diretamente a confiança do eleitorado e investidores no ambiente político de Moçambique, influenciando desde alianças estratégicas até oportunidades de negócios que dependem de previsibilidade institucional.
Durante o encontro, ficou decidido que o Conselho Nacional será realizado ainda no primeiro semestre de 2026, quando será marcada a data do Congresso Extraordinário ou Ordinário.
Momade reforçou que o partido precisa fortalecer sua coesão para garantir competitividade eleitoral e consolidar sua posição como alternativa de governo, abrindo espaço para novos diálogos e iniciativas que podem impulsionar investimentos em setores ligados à economia política local. (DW)
Por: IZILDA CHILUNDO
