Aproximação ao Chega pode custar caro ao PSD, avisa Adão e Silva”

O sociólogo e ex-ministro da Cultura Pedro Adão e Silva criticou o entendimento entre o PSD e o Chega para a nomeação de juízes do Tribunal Constitucional e membros do Conselho de Estado, alertando para possíveis consequências políticas e institucionais.

Em declarações à CNN Portugal, o antigo governante defendeu que, num contexto de maior fragmentação parlamentar, entendimentos pontuais são naturais, mas considera que este acordo foi feito “no sentido errado”.

Segundo Adão e Silva, o PSD poderia negociar com o Chega em matérias económicas e orçamentais, mas não em áreas institucionais. “Nesses domínios, o Chega representa uma ameaça aos fundamentos do regime”, afirmou, apontando críticas ao posicionamento do partido em temas de direitos, liberdades e garantias.

O sociólogo comparou o acordo a “colocar a raposa dentro do galinheiro”, sublinhando que a decisão pode ter impacto direto na governação. Entre os efeitos, destaca um eventual afastamento do PS de futuros entendimentos e um reposicionamento estratégico do PSD.

Adão e Silva alertou ainda para experiências internacionais, referindo que aproximações entre partidos tradicionais de centro-direita e forças populistas tendem a deslocar a agenda política e enfraquecer os primeiros.

O entendimento surge após André Ventura confirmar a existência de negociações com o PSD liderado por Luís Montenegro. O partido mantém, contudo, discrição sobre os detalhes, afirmando que continuará “no recato das negociações”.

Para o antigo ministro, esta opção estratégica poderá redefinir alianças políticas em Portugal e trazer consequências duradouras para o sistema partidário. (NM)

Por: IZILDA CHILUNDO

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