UE alerta para reservas críticas de gás e apela à ação coordenada Portugal destaca-se

A Comissão Europeia alertou os Estados-membros para a necessidade urgente de reforçar o armazenamento de gás natural antes do próximo inverno, numa altura em que as reservas da União Europeia se encontram abaixo dos 30%.

Segundo dados recentes, os níveis de armazenamento situam-se nos 28,48%, refletindo a pressão crescente sobre o setor energético europeu, agravada pela instabilidade no Médio Oriente.

Bruxelas sublinha que, apesar de a segurança do abastecimento energético se manter, para já, relativamente protegida devido à reduzida dependência direta da região e aos carregamentos de gás natural liquefeito que chegaram antes do agravamento do conflito, a volatilidade do mercado exige uma resposta rápida e coordenada.

A Comissão apela, por isso, a que os países iniciem desde já o enchimento das reservas, garantindo uma preparação eficaz para a época de maior consumo energético.

Entre os países com capacidade de armazenamento, Portugal surge como exceção positiva, apresentando o nível mais elevado de reservas: 82,37%.

Ainda assim, especialistas alertam que a capacidade nacional é limitada, com armazenamento subterrâneo relativamente reduzido face aos principais parceiros europeus, o que diminui o impacto estrutural dessa vantagem.

A escalada do conflito no Médio Oriente, envolvendo Estados Unidos, Israel e o Irão, continua a gerar incerteza nos mercados energéticos globais. O encerramento do estratégico Estreito de Ormuz por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial provocou uma quebra acentuada no tráfego de petroleiros e alimentou a subida dos preços.

Este cenário está a ter repercussões diretas na economia europeia, com impacto nos custos da energia e no poder de compra das famílias.

Apesar das dificuldades, a União Europeia mantém em vigor a meta de atingir 90% de armazenamento de gás entre 1 de outubro e 1 de dezembro, um objetivo considerado crucial para garantir estabilidade energética durante o inverno.

Num contexto de elevada incerteza, a capacidade de coordenação entre os Estados-membros será determinante para evitar ruturas no abastecimento e mitigar os efeitos da crise energética. (NM)

Por: IZILDA CHILUNDO

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