O novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, permanece longe da vista pública desde que assumiu funções, aumentando as dúvidas sobre a sua real condição e capacidade de liderança.
Filho do falecido Ali Khamenei, Mojtaba foi apontado como sucessor a 8 de março, poucos dias após o início da ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel. No entanto, desde então, não há registo de qualquer aparição pública, nem imagens, vídeos ou gravações que confirmem o seu estado.
Até ao momento, apenas foram divulgados dois comunicados atribuídos ao novo líder, ambos transmitidos pelos meios estatais iranianos, nos quais apela à resistência e à retaliação contra os ataques estrangeiros.
As autoridades de Teerão garantem que Mojtaba Khamenei está vivo e a exercer funções, admitindo, porém, que sofreu ferimentos ligeiros durante o bombardeamento inicial que vitimou o seu pai. Ainda assim, a ausência prolongada tem alimentado várias teorias desde a possibilidade de estar a receber tratamento no estrangeiro até rumores mais extremos sobre o seu estado de saúde.
Do lado norte-americano, declarações do presidente Donald Trump vieram intensificar a incerteza, ao sugerir que o novo líder poderá estar gravemente ferido ou até morto uma narrativa que se insere na guerra de informação paralela ao conflito militar.
Entretanto, o regime iraniano tem recorrido a conteúdos gerados por inteligência artificial para manter a imagem de normalidade e continuidade. Em Teerão, multiplicam-se cartazes com representações digitais do novo líder, numa tentativa de reforçar a sua legitimidade junto da população.
Especialistas alertam que esta ausência pode fragilizar a autoridade de Mojtaba Khamenei, sobretudo por nunca ter desempenhado cargos públicos relevantes nem possuir o peso político e religioso do seu antecessor.
Para já, apesar da eliminação de várias figuras-chave do regime e da incerteza em torno da nova liderança, não há sinais claros de colapso interno. Ainda assim, o prolongamento deste “vazio visível” no topo do poder poderá tornar-se um fator crítico num conflito que continua a escalar. (NM)
Por: IZILDA CHILUNDO
