A visita do Papa a Angola, marcada para abril, está a gerar entusiasmo entre os fiéis, mas também debate público sobre quem suporta os custos de um evento com dimensão religiosa e institucional. A resposta é clara: o financiamento é partilhado entre a Igreja Católica e o Estado angolano.
Por um lado, a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé lançou uma campanha de angariação de fundos junto dos fiéis. Estas contribuições destinam-se sobretudo a cobrir despesas pastorais e logísticas, como a organização de celebrações religiosas, transporte e acolhimento de peregrinos e atividades ligadas às dioceses
A Igreja sublinha que estas contribuições são voluntárias e fazem parte do princípio de solidariedade entre os crentes.
Por outro lado, o Estado angolano também financia parte da visita, dado tratar-se igualmente de uma visita de Estado. Isso inclui a segurança, o protocolo oficial, as infraestruturas e organização de eventos institucionais.
O Governo criou inclusive uma comissão interministerial para coordenar esta dimensão, à semelhança do que acontece noutras visitas papais.
Durante a estadia, o Papa deverá reunir-se com o Presidente João Lourenço, membros do Governo, diplomatas e representantes da sociedade civil. Para além da vertente religiosa, são esperadas mensagens sobre temas como pobreza, governação e coesão social.
A controvérsia surge sobretudo na perceção pública: até que ponto recursos públicos devem ser usados num evento religioso? Ainda assim, sendo o Papa também um chefe de Estado (do Vaticano), estas visitas têm sempre um enquadramento diplomático.
A visita do Papa a Angola será financiada de forma partilhada, refletindo a sua dupla natureza religiosa e política. O debate não é tanto sobre quem paga, mas sobre o equilíbrio entre fé, Estado e uso de recursos públicos num contexto económico exigente. (DW)
Por: IZILDA CHILUNDO
