Estado arrecada 353 milhões com jogo online, mas crescimento perde força

O Estado português arrecadou mais de 353 milhões de euros em 2025 através do imposto sobre o jogo online, um novo máximo histórico, apesar de o setor evidenciar uma desaceleração significativa no ritmo de crescimento.

De acordo com dados do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos, o Imposto Especial de Jogo Online (IEJO) manteve uma trajetória ascendente, ainda que a um ritmo mais moderado face aos anos anteriores.

O relatório indica que o crescimento anual das receitas do setor regulado foi de 8,49% o valor mais baixo desde que o mercado foi legalizado em Portugal. Paralelamente, registou-se uma ligeira redução no número de contas ativas, com uma queda média trimestral de 0,64% face a 2024.

Segundo a Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online, estes indicadores apontam para uma fase de maior maturidade do mercado, após vários anos de forte expansão.

A performance do setor foi impulsionada sobretudo pelos jogos de fortuna ou azar (casino online), cujas receitas brutas cresceram 11,85%, atingindo 759 milhões de euros.

Este desempenho reflete uma menor dinâmica neste segmento, mais dependente de eventos desportivos e comportamento sazonal dos apostadores.

O abrandamento não se limita ao digital. Os casinos físicos registaram uma quebra de 1,15% nas receitas, enquanto as salas de bingo recuaram 1,56%, reforçando a ideia de um setor em fase de estabilização.

Do ponto de vista económico, os dados revelam um setor que continua altamente rentável para o Estado, mas que começa a dar sinais claros de maturidade:

o jogo online mantém-se como uma fonte relevante e previsível de receita pública, pode indicar saturação do mercado ou maior concorrência.

ligeira queda de utilizadores sugere maior prudência ou dispersão para outras formas de entretenimento, ambiente mais exigente pode impactar operadores

Para investidores e operadores, o foco deverá deslocar-se do crescimento acelerado para a eficiência, retenção de utilizadores e inovação de produto.

Com receitas acima dos mil milhões de euros e um enquadramento regulado, o setor continua atrativo. No entanto, a desaceleração levanta questões sobre o seu potencial de expansão futura e a necessidade de adaptação a um mercado mais competitivo e exigente.

A evolução em 2026 será determinante para perceber se este abrandamento é conjuntural ou o início de um novo ciclo mais moderado. (NM)

Por: IZILDA CHILUNDO

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