ENCERRAMENTO DO ESTREITO DE ORMUZ PODE GERAR RISCO DE ESCASSEZ DE COMBUSTÍVEL EM MOÇAMBIQUE

O Governo  garante que o país dispõe actualmente de cerca de 75 mil toneladas de combustíveis, quantidade considerada suficiente para assegurar o abastecimento interno até ao início de Maio. A informação surge após o encerramento do Estreito de Ormuz pelo Irão, na sequência do agravamento do conflito no Médio Oriente.

Cerca de 80% das importações de combustíveis de Moçambique transitam por esta rota marítima estratégica, utilizada para o transporte de petróleo proveniente do Médio Oriente. Perante a situação, o Executivo afirma estar a acompanhar a evolução da crise internacional e admite recorrer a rotas alternativas de importação, bem como ao fundo de estabilização de combustíveis.

Contudo, a economista Estrela Charles considera que o anúncio governamental pode gerar expectativas irrealistas e até incentivar um consumo desnecessário de combustível. Em entrevista à Deutsche Welle, a especialista alertou para os riscos económicos que o país poderá enfrentar caso o bloqueio da rota marítima se prolongue.

Segundo a economista, Moçambique continua fortemente dependente das importações, não apenas de combustíveis, mas também de diversos bens essenciais, situação agravada por uma balança comercial desequilibrada e por baixos níveis de produção interna.

A especialista sublinha que mais importante do que anunciar a existência de reservas temporárias é apresentar medidas concretas e estratégias de curto, médio e longo prazo para enfrentar eventuais dificuldades no abastecimento.

Para Estrela Charles, as alternativas apontadas pelo Governo, como o recurso a rotas de importação alternativas e ao fundo de estabilização, podem revelar-se insuficientes para evitar um aumento dos preços dos combustíveis e do custo de vida.

A economista alerta ainda para os desafios relacionados com a disponibilidade de divisas no país, essenciais para financiar importações, incluindo combustíveis. Na sua análise, a actual estabilidade cambial pode ocultar fragilidades no acesso efectivo a moeda estrangeira.

Face a este cenário, defende um maior diálogo entre o Governo, a sociedade civil e especialistas, incluindo académicos, para definir estratégias conjuntas que permitam mitigar os impactos económicos e sociais de uma eventual escassez de combustíveis.

Entre as medidas sugeridas, destaca a revisão da estrutura de custos dos combustíveis, particularmente no que diz respeito às taxas e impostos que influenciam o preço final ao consumidor. A economista considera ainda essencial reforçar o apoio ao transporte público e adoptar políticas que favoreçam os sectores mais vulneráveis.

Na opinião de Estrela Charles, caso não sejam adoptadas medidas adequadas, dificuldades no acesso a combustíveis poderão agravar problemas económicos já existentes e gerar instabilidade social no país.

Por: Jaime Alberto

Relacionados

Leave a Comment