As poupanças dos moçambicanos aplicadas em depósitos a prazo registaram um crescimento de 9,2% em 2025, atingindo cerca de 297,7 mil milhões de meticais no final de Dezembro. Os dados foram divulgados pelo Banco de Moçambique e indicam uma evolução positiva ao longo do ano, reflectindo um aumento da confiança dos cidadãos no sistema financeiro nacional.

De acordo com as estatísticas do banco central, os depósitos a prazo situavam-se em 264,7 mil milhões de meticais em Junho de 2024. A partir desse período, os valores registaram aumentos mensais, evidenciando um crescimento gradual das poupanças no sistema bancário moçambicano.
O montante atingiu o seu nível mais elevado em Julho do ano passado, quando alcançou um máximo histórico de 305,9 mil milhões de meticais. Apesar deste pico, os depósitos registaram uma ligeira redução nos meses seguintes, encerrando o ano em 297,7 mil milhões de meticais, ainda acima dos 272,5 mil milhões de meticais registados no início de 2025.
Paralelamente, os depósitos à ordem também apresentaram crescimento. Em Dezembro, registaram um aumento mensal de 1,5%, alcançando 477,9 mil milhões de meticais, o que demonstra a liquidez disponível entre cidadãos e empresas.

Actualmente, o sistema financeiro moçambicano conta com 15 bancos comerciais e 12 microbancos. Para além destas instituições, operam cooperativas de crédito e organizações de poupança e crédito, entre outras entidades do sector financeiro, oferecendo diversas opções de investimento e poupança à população.
Entretanto, a 28 de Janeiro deste ano, o Banco de Moçambique decidiu reduzir pela 12.ª vez consecutiva a taxa de juro da política monetária, conhecida como taxa MIMO, em 0,25 pontos percentuais, fixando-a em 9,25%.
Segundo o governador do banco central, Rogério Zandamela, a decisão foi sustentada pelas perspectivas de manutenção da inflação em níveis de um dígito no médio prazo, apesar de persistirem alguns riscos e incertezas, nomeadamente associados às recentes cheias no país e ao agravamento das tensões comerciais e geopolíticas.
O responsável acrescentou que o Comité de Política Monetária continuará a acompanhar a evolução dos indicadores económicos e monetários. A próxima reunião do comité está agendada para 23 de Março.
Desde Setembro de 2022, a taxa directora manteve-se em 17,25%, tendo iniciado um ciclo de reduções a partir de Janeiro de 2024. Nesse mês, foi reduzida para 16,5%, descendo posteriormente para 15,75% em Março, 9,75% em Setembro, 9,50% em Novembro e, mais recentemente, para 9,25%.
Apesar desta trajectória descendente, Rogério Zandamela alertou que o ciclo de cortes da taxa MIMO poderá estar próximo do fim, tendo em conta os riscos e incertezas que continuam a influenciar a evolução da economia.
