O Governo da Austrália anunciou a flexibilização temporária dos padrões de qualidade da gasolina, numa medida destinada a aumentar o abastecimento interno de combustíveis face à atual pressão no mercado energético internacional.
Segundo o ministro da Energia, Chris Bowen, o país permitirá durante os próximos 60 dias níveis mais elevados de enxofre na gasolina. Normalmente, estes níveis são rigorosamente controlados para reduzir a poluição do ar.
A decisão permitirá que cerca de 200 milhões de litros adicionais de gasolina entrem no mercado australiano nos próximos dois meses. De acordo com o ministro, a medida deverá acrescentar aproximadamente 100 milhões de litros por mês ao abastecimento interno, combustível que, em condições normais, seria destinado à exportação.
A petrolífera Ampol comprometeu-se a redirecionar parte da produção para as regiões que enfrentam escassez, bem como para o mercado grossista. O objetivo é garantir prioridade no abastecimento a setores essenciais, como agricultores, pescadores e comunidades locais.
A Austrália, que depende fortemente das importações de petróleo, tem enfrentado um aumento significativo nos preços dos combustíveis desde o início do conflito no Médio Oriente, a 28 de fevereiro.
O Governo australiano acusou também alguns retalhistas de praticarem preços abusivos durante este período de instabilidade.
O ministro das Finanças, Jim Chalmers, afirmou que o país dispõe de reservas suficientes de combustível, mas reconheceu dificuldades no abastecimento em algumas regiões, especialmente nas zonas rurais.
Entretanto, a Nova Zelândia também avalia medidas de emergência para lidar com possíveis problemas de abastecimento.
A ministra das Finanças, Nicola Willis, revelou que o Governo está a analisar a possibilidade de aplicar leis antigas que restringem a utilização de veículos em períodos de escassez de combustível.
Entre as medidas consideradas está a implementação de um sistema que obrigaria os proprietários de automóveis a escolher um dia por semana em que não poderiam utilizar os seus veículos. A legislação também prevê a emissão de vales de restrição de combustível.
Medidas semelhantes já foram aplicadas entre julho de 1979 e maio de 1980, na sequência da Revolução iraniana, quando o país enfrentou uma grave crise energética.
A Nova Zelândia também depende fortemente da importação de combustíveis. Desde o início do conflito no Médio Oriente, o preço médio da gasolina no país subiu quase 10%, enquanto o gasóleo registou um aumento superior a 20%, segundo o serviço de monitorização de preços Gaspy.
A companhia aérea nacional já anunciou o cancelamento de cerca de 1.100 voos nos próximos dois meses, justificando a decisão com o aumento do preço do combustível de aviação.
Perante o agravamento da situação, os 32 países membros da Agência Internacional de Energia decidiram libertar 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas de emergência.
Apesar da medida, os mercados continuam sob forte pressão. O preço do petróleo Brent ultrapassou os 100 dólares por barril, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, também registou fortes subidas.
A atual crise energética está diretamente relacionada com a escalada do conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, que levou à suspensão do tráfego marítimo no estreito de Ormuz uma rota estratégica responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo mundial. (RTP)
Por: IZILDA CHILUNDO
