À medida que o conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão se intensifica, a Europa enfrenta uma pressão crescente sobre a sua estratégia, ainda marcada por divisões entre os Estados-membros.
Desde o início da guerra, a União Europeia e o Reino Unido têm apelado ao respeito pelo direito internacional e condenado ações do regime iraniano. Contudo, não conseguiram articular uma posição unificada sobre a resposta ao conflito, parecendo adotar uma estratégia defensiva em vez de intervenção militar direta.
Especialistas sublinham que os países europeus estão alinhados em tomar medidas de defesa caso um Estado europeu seja atacado e em apoiar os países do Golfo quando possível. No entanto, discordam quanto ao nível de envolvimento em operações militares ao lado dos EUA ou de Israel. “Não haverá uma posição unificada sobre a guerra”, afirmou Cornelius Adebahr, do Conselho Alemão dos Negócios Estrangeiros (DGAP).
O Reino Unido permitiu o uso de duas bases por forças americanas, enquanto a Alemanha autorizou operações limitadas a partir da Base Aérea de Ramstein, e França cedeu temporariamente algumas bases, mas apenas para apoio defensivo. Itália ainda não recebeu pedidos formais, mas poderá fornecer sistemas de defesa aérea. Especialistas consideram estas concessões como “compromissos sob pressão dos EUA”.
O ataque de drones iranianos a uma base britânica em Chipre reforçou a percepção de ameaça direta à Europa, levando países como Itália, Grécia, Holanda e França a mobilizarem apoio ao Reino Unido. Autoridades da NATO e think tanks alertam que o Irão pretende estender o conflito à Europa, com riscos de ataques terroristas e instabilidade.
Além da segurança, a guerra tem implicações económicas, como aumento dos preços da energia e possíveis fluxos migratórios através da Turquia. A Alta Representante da UE, Kaja Kallas, alertou para a necessidade de preparação face à continuação do conflito.
Por enquanto, a maioria dos Estados europeus mantém a prioridade na Ucrânia e na gestão das consequências económicas e militares das tensões transatlânticas. “O sentimento é: esta guerra não é nossa; temos de lidar com a Ucrânia”, resumiu Adebahr, sublinhando a falta de coesão e a preocupação com o desvio de equipamentos militares essenciais para a guerra contra a Rússia.
Por: Joao Mbatine
