MOÇAMBIQUE LIDERA SAÚDE MENTAL JOVEM NO ESPAÇO LUSÓFONO; BRASIL ENTRE OS PIORES E ANGOLA DESTACA-SE NA ESPIRITUALIDADE

Moçambique ocupa uma posição de destaque no espaço lusófono no que respeita à saúde mental dos jovens, enquanto o Brasil surge entre os países com piores resultados e Angola evidencia elevados níveis de espiritualidade, segundo o relatório “Global Mind Health 2025”, divulgado pela organização Sapien Labs.Moçambique: como melhorar a saúde mental da comunidade afetada pelo  conflito? | COMITÊ INTERNACIONAL DA CRUZ VERMELHAMoçambique: como melhorar  saúde metal da comunidade afetada pelo conflito?

De acordo com o estudo, Moçambique ocupa a 12.ª posição entre 84 países na avaliação da saúde mental da população entre os 18 e os 34 anos, posicionando-se entre os melhores do continente africano e muito acima de Portugal, que surge no 46.º lugar.Aumento de suicídios exige acção colectiva e atenção à saúde mental –  aimnews.org

O relatório integra o projecto “Global Mind Health”, descrito como o maior estudo contínuo sobre saúde mental da população com acesso à Internet, reunindo dados de mais de 2,5 milhões de pessoas em 85 países.

Angola aparece na 25.ª posição a nível mundial, resultado considerado positivo no panorama global, embora atrás de outros países africanos como Gana, Nigéria, Quénia e Tanzânia. Em sentido oposto, o Brasil apresenta o pior desempenho entre os países lusófonos analisados, ocupando a 79.ª posição entre 84 nações.

O estudo conclui que, de forma geral, os países com melhor saúde mental são maioritariamente da África subsaariana, enquanto economias desenvolvidas como Reino Unido, Japao e Alemanha figuram entre as piores classificadas.

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A análise baseia-se no Quociente de Saúde Mental (MHQ), um indicador composto que mede a capacidade de enfrentar desafios quotidianos e funcionar de forma produtiva, agregando respostas em 47 dimensões cognitivas, emocionais, sociais e físicas.

No caso angolano, a espiritualidade surge como um dos factores mais relevantes. Angola ocupa a 7.ª posição entre 69 países neste indicador, enquanto Moçambique surge no 9.º lugar. O relatório refere ainda que 14 dos países com maior nível de espiritualidade situam-se em África.

Outro elemento determinante é a qualidade das relações familiares. Segundo o estudo, jovens com laços familiares frágeis têm quatro vezes mais probabilidade de desenvolver problemas de saúde mental. Ainda assim, Angola e Moçambique apresentam níveis relativamente baixos de proximidade familiar entre os jovens, ocupando as 71.ª e 78.ª posições, respectivamente. Portugal, por sua vez, apresenta níveis mais sólidos de laços familiares, figurando na 18.ª posição, mas níveis relativamente baixos de espiritualidade (44.º lugar).

O acesso mais tardio a ‘smartphones’ é apontado como um dos factores que poderá favorecer países africanos, incluindo Angola e Moçambique. O relatório indica que quanto mais cedo os jovens recebem ‘smartphones’, maior é a probabilidade de enfrentarem problemas como depressão, ansiedade e pensamentos suicidas na idade adulta.

O consumo de alimentos ultraprocessados é igualmente associado a piores indicadores de saúde mental. Portugal e Brasil estão entre os países com maior consumo deste tipo de produtos (17.º e 27.º lugares, respectivamente), enquanto Angola e Moçambique apresentam níveis mais baixos (62.º e 73.º lugares).

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Em termos globais, o relatório alerta para uma crise crescente na saúde mental, sobretudo entre os mais jovens, destacando que quase metade dos adultos com menos de 35 anos enfrenta desafios significativos nesta área um valor quatro vezes superior ao registado entre pessoas com mais de 55 anos.

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