Volta a estar em exibição nas salas de cinema o filme “O Ancoradouro do Tempo”, uma obra inspirada no romance A Varanda do Frangipani, do escritor moçambicano Mia Couto. A produção marca um reencontro entre o cinema e a literatura, cruzando o mistério com uma profunda reflexão histórica e social.
Baseado na densidade simbólica do romance, o filme transforma o suspense numa metáfora sobre memória, identidade e culpa colectiva. A narrativa revisita um passado marcado por traumas, onde um grupo de idosos assume colectivamente a responsabilidade por um crime, levantando questões sobre verdade, reconciliação e responsabilidade histórica.
Segundo Mia Couto, a adaptação cinematográfica oferece uma nova dimensão à história original, sublinhando que as lições retratadas continuam actuais no contexto de Moçambique, particularmente num período em que o país enfrenta desafios relacionados com conflitos e processos de reconciliação.
Na interpretação da enfermeira Marta, a actriz Atália destaca-se pela intensidade e sensibilidade da sua performance, conferindo profundidade emocional à narrativa. A componente sonora, assinada por Stewart Sukuma, reforça a atmosfera introspectiva do filme, integrando línguas nacionais que enriquecem a identidade cultural da obra.
Com a duração de uma hora e quarenta e cinco minutos, “O Ancoradouro do Tempo” está em exibição desde quinta-feira e continuará em cartaz até sábado, na Cidade de Maputo.
Por: Jaime Alberto
