O Governo dos Estados Unidos aprovou uma subvenção de 1,875 milhões de dólares (cerca de 1,6 milhões de euros) para financiar o estudo de viabilidade da exploração de terras raras no Monte Muambe, distrito de Moatize, província de Tete, centro de Moçambique.
O financiamento será concedido através da Agência de Comércio e Desenvolvimento dos Estados Unidos (USTDA) à empresa Monte Muambe Mining (MMM), subsidiária da Altona Rare Earths, que desde 2021 já investiu cerca de quatro milhões de dólares em actividades de prospecção.
O Monte Muambe, um vulcão inactivo com cerca de 780 metros de altura, é rico em carbonatitos que contêm minerais estratégicos, incluindo terras raras, fluorite e gálio matérias-primas consideradas críticas para as indústrias tecnológica e de defesa.
Segundo Abigail Dressel, encarregada de negócios da Embaixada norte-americana em Maputo, o projecto deverá fortalecer o sector mineiro moçambicano, impulsionar a economia nacional e contribuir para o desenvolvimento responsável dos recursos naturais.
A responsável sublinhou que o apoio da USTDA visa reduzir riscos técnicos e financeiros, facilitar a mobilização de capital adicional e ligar o projecto a potenciais compradores norte-americanos de minerais críticos.
O administrador da MMM e director-executivo, da Altona, Cedric Simonet, explicou que a subvenção permitirá realizar estudos aprofundados de metalurgia e engenharia de processos, abrindo a possibilidade de instalar uma unidade de separação e processamento no próprio distrito de Moatize.
A criação de capacidade de processamento local poderá representar um salto qualitativo para Moçambique, promovendo maior valor acrescentado interno, geração de emprego especializado e desenvolvimento de cadeias industriais associadas.
Em comunicado, a USTDA destacou que o projecto contribuirá para reforçar cadeias de abastecimento resilientes e diversificadas de minerais críticos, considerados essenciais para a base industrial de defesa e para a vantagem tecnológica dos Estados Unidos.
A aposta nas terras raras insere-se num contexto global de crescente competição por minerais estratégicos, fundamentais para a produção de baterias, equipamentos electrónicos, energias renováveis e sistemas de defesa.
Para Moçambique, o projecto representa uma oportunidade de afirmação no mercado internacional de minerais críticos, podendo atrair investimento adicional e consolidar o papel do país como destino relevante para capitais no sector extractivo.
Especialistas sublinham, contudo, que o sucesso dependerá de um quadro regulatório estável, transparência na gestão dos recursos e garantia de benefícios socioeconómicos para as comunidades locais.
Por: IZILDA CHILUNDO
