Rogério Uthui propõe corte de salários de dirigentes para aliviar Orçamento do Estado

O comentador e académico moçambicano Rogério Uthui sugeriu o corte dos salários de ministros e de dirigentes de entidades públicas como medida para reduzir a pressão sobre o Orçamento do Estado. Uthui frisou que Moçambique não precisa de alertas do FMI nem do Banco Mundial para implementar esta solução, salientando que o país falhou ao não se reinventar quando foram suspensos os apoios destas instituições.

Num contexto em que o Fundo Monetário Internacional alerta para a elevada pressão exercida pelos salários e pela dívida pública sobre o orçamento, o comentador da STV defende que é altura de o Governo adotar uma postura de nacionalismo económico e ponderar cortes nos vencimentos dos dirigentes mais bem pagos.

“Já vi muitos países em situação semelhante, onde governos inteiros cortaram salários de ministros. Países africanos, latino-americanos e até europeus. Nós também podemos pensar nisso, analisar como gerir os salários dos ministros, dos mais bem pagos, PCA e outros dirigentes”, afirmou.

Para Uthui, este nacionalismo económico é essencial para que o país encontre soluções próprias sem depender do FMI. “Uma coisa é teres o dinheiro que produzes numa empresa, isso é teu. Outra é usar dinheiro do Estado de forma absurda”, sublinhou.

O antigo reitor da Universidade Pedagógica considera que os salários de alguns dirigentes públicos são excessivos, chegando a valores 160 a 200 vezes superiores ao salário mínimo, apesar de algumas entidades duplicarem funções sem necessidade. “Por exemplo, no sector das águas existem várias instituições a desempenhar funções idênticas às que no tempo colonial eram asseguradas por uma só entidade, como o SMAE, e ainda assim tínhamos água para todos”, explicou.

Uthui criticou ainda o FMI e o Banco Mundial, acusando-os de contribuir para a criação de elites económicas em África e de contradizerem a exigência de crescimento inclusivo. Segundo ele, Moçambique falhou ao não desenvolver alternativas próprias de crescimento económico durante a suspensão do apoio destas instituições.

“As medidas do FMI aplicadas numa economia subdesenvolvida como a nossa, que depende apenas da exportação de matérias-primas, provocam recessão económica, descontentamento popular e crises sociais, como se viu nas manifestações pós-eleitorais”, concluiu.

Relacionados

Leave a Comment