Novo grupo de sul-africanos recrutados para a guerra na Ucrânia regressa ao país

Um grupo de 11 cidadãos sul-africanos, alegadamente recrutados para combater ao lado das forças russas no conflito contra a Ucrânia, deverá regressar em breve à África do Sul, anunciou o Presidente Cyril Ramaphosa.

Com este novo repatriamento, sobe para 15 o número de nacionais que já regressaram ao país, depois de quatro homens terem aterrado em Joanesburgo na semana passada, após vários meses nas linhas da frente da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

Segundo informações avançadas pela agência Lusa, os homens terão sido atraídos com a promessa de formação em segurança, mas acabaram integrados em forças ligadas ao esforço militar russo. O caso levanta sérias preocupações quanto aos métodos de recrutamento utilizados e ao eventual envolvimento de intermediários privados.

Um relatório recente da organização não-governamental INPACT, sediada na Suíça, descreve um padrão de aliciamento que inclui falsos anúncios de emprego nas áreas de segurança privada, construção civil, agricultura e indústria, promessas de salários elevados e regularização de estatuto migratório, bem como facilitação de vistos e transporte para território russo. O documento aponta ainda para o uso de redes informais e agências de recrutamento como canais de mobilização.

De acordo com Ramaphosa, permanecem ainda dois sul-africanos na Rússia: um encontra-se hospitalizado e outro aguarda conclusão de trâmites administrativos para regressar ao país. Os processos de repatriamento têm sido conduzidos por via diplomática, na sequência de um compromisso assumido pelo Presidente russo, Vladimir Putin.

Entretanto, pelo menos três pessoas estão sob investigação na África do Sul por alegada ligação ao recrutamento dos homens. Entre os nomes referidos pela imprensa internacional encontra-se Duduzile Zuma-Sambudla, filha do antigo Presidente Jacob Zuma. Zuma-Sambudla rejeitou qualquer envolvimento ilícito, mas apresentou a demissão do cargo de deputada no Parlamento sul-africano na sequência das acusações.

Recorde-se que, em Dezembro, o Governo sul-africano revelou ter recebido pedidos de ajuda de cidadãos que afirmavam estar retidos na região do Donbass, no leste da Ucrânia, zona fortemente afectada pelo conflito armado.

Os homens, com idades compreendidas entre os 20 e os 39 anos, terão aderido a forças mercenárias sob a promessa de contratos de trabalho financeiramente atractivos. O caso reacende o debate sobre a vulnerabilidade de jovens africanos perante redes internacionais de recrutamento e os riscos associados à migração laboral em contextos de conflito.

Por: Izilda Chilundo

Relacionados

Leave a Comment