As autoridades da província de Manica, manifestaram preocupação face à crescente circulação de sementes falsificadas nos mercados locais, situação que tem causado prejuízos significativos aos produtores agrícolas.
O alerta foi lançado pelo Conselho Executivo Provincial, após sucessivas reclamações de camponeses sobre o fraco poder germinativo de sementes adquiridas em diferentes pontos de venda. Perante o cenário, o Governo provincial convocou um encontro com diversos intervenientes da cadeia de produção e comercialização de sementes.
A governadora de Manica, Francisca Tomás, que orientou a reunião, garantiu que decorrem acções para identificar os responsáveis pela falsificação e prometeu medidas severas contra os infractores.
Segundo a dirigente, as empresas envolvidas poderão ver as suas licenças suspensas ou retiradas, ficando impedidas de comercializar sementes certificadas. Além disso, poderão ser responsabilizadas judicialmente pelos prejuízos causados aos agricultores.
Produtores e provedores de sementes presentes no encontro reconheceram que parte do problema pode ter origem nas próprias empresas, mas defenderam o reforço da fiscalização por parte da Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE).
Aly Baraza Jr, provedor de sementes, alertou para a existência de um alegado “cartel” envolvido na comercialização de sementes falsas, defendendo o fortalecimento do Laboratório Nacional de Sementes para melhorar o controlo e a certificação.
Por sua vez, Ausêncio Elias referiu que a venda de sementes falsificadas intensifica-se sobretudo durante o período de sementeiras, sendo frequente encontrar no mercado pacotes sem qualquer identificação ou selo de certificação.
Já Célia Ribeiro, vice-presidente do Conselho Empresarial Provincial de Manica, considerou que o problema é estrutural e que parte significativa das irregularidades poderá ter origem nas próprias empresas, o que tem levado agricultores a preferirem sementes importadas, por desconfiança em relação à produção local.
As autoridades apelam à denúncia de locais e entidades envolvidas na prática e defendem maior coordenação entre os órgãos de fiscalização, empresas e produtores. No encontro foram também debatidas estratégias para reforçar a produção de sementes certificadas, melhorar o controlo de qualidade das sementes importadas e organizar o processo de certificação na província.
por: izilda chilundo
