Encerramento da Mozal gera apreensão entre trabalhadores, que temem abandono semelhante ao dos “Madgermanes”

 A proximidade do anunciado encerramento da Mozal está a gerar um clima de forte inquietação entre os trabalhadores da maior fundição de alumínio do país, que relatam sentimentos de incerteza, medo e ansiedade quanto ao seu futuro laboral e social.

Em declarações à Integrity Magazine News, funcionários da empresa descrevem um ambiente caracterizado por fraca comunicação interna, ausência de diálogo transparente e receios quanto às consequências económicas para milhares de famílias que dependem directa ou indirectamente da actividade da unidade industrial.

Segundo informações recolhidas pela reportagem, os trabalhadores estão impedidos de se manifestar publicamente sobre os processos de indemnização e desligamento em curso, devido à existência de cláusulas de confidencialidade incluídas nos acordos que estão a ser negociados.

Uma fonte ligada à empresa confirmou a limitação, explicando que os colaboradores foram orientados a não prestar declarações sobre o impacto humano do encerramento. “Neste momento não posso comentar o sentimento dos trabalhadores. Existem cláusulas no próprio processo de indemnização que nos impedem de falar”, revelou, acrescentando que apenas é permitido abordar aspectos genéricos relacionados com o fecho da fábrica.

A situação tem levado muitos funcionários a temerem um desfecho semelhante ao vivido pelos antigos trabalhadores moçambicanos na ex-Alemanha Oriental, conhecidos como “Madgermanes”, que regressaram ao país enfrentando dificuldades económicas e ausência de compensações adequadas. Para os trabalhadores da Mozal, o receio é que, para além do impacto económico imediato, o processo seja marcado por negligência social e instrumentalização política, sem soluções duradouras para a reintegração laboral.

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