A TotalEnergies anunciou que suspendeu, ou está prestes a suspender, cerca de 15% da sua produção mundial de petróleo e gás em diversos países do Golfo, incluindo Qatar, Iraque e a costa dos Emirados Árabes Unidos.
Em comunicado, o grupo francês explicou que a decisão afeta tanto a produção de petróleo como de gás, mas que algumas operações continuam a decorrer normalmente. A produção ‘onshore’ nos Emirados Árabes Unidos, cerca de 210.000 barris por dia da quota da TotalEnergies, não foi afetada pelo conflito, sendo exportada por oleoduto através do terminal de Fujairah, no Golfo de Omã, uma rota alternativa que evita o Estreito de Ormuz, atualmente bloqueado.
As operações na refinaria de Satorp, na Arábia Saudita, também permanecem normais, garantindo o abastecimento do mercado interno saudita.
O grupo destacou ainda que um preço mais elevado do petróleo poderá compensar a perda de produção no Médio Oriente. Segundo a TotalEnergies, um aumento de 8 dólares por barril no Brent seria suficiente para manter os fluxos de caixa esperados para 2026 relativos aos ativos no Iraque, Qatar e ‘offshore’ nos Emirados Árabes Unidos, considerando um preço de referência de 60 dólares por barril.
O impacto no mercado refletiu-se na cotação da empresa, cujas ações subiram 4,64% desde o início de março, atingindo 70,4 euros, logo após o início do conflito.
A decisão sublinha a vulnerabilidade das operações petrolíferas no Médio Oriente face a crises geopolíticas e a capacidade das grandes empresas de ajustar a produção e proteger os fluxos financeiros apesar de interrupções localizadas.
Por: Joao Mbatine
