Rússia lucra seis mil milhões de euros com combustíveis fósseis desde início do conflito EUA-Irão

A Rússia arrecadou cerca de seis mil milhões de euros com a venda de petróleo, gás e carvão desde o início do conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irão, há doze dias. Segundo o Centre for Research on Energy and Clean Air, citado pelo The Guardian, Moscovo registou um lucro adicional de 672 milhões de euros apenas em março, impulsionado pelo aumento médio de 14% nos preços combinados das matérias-primas face a fevereiro.

Grande parte deste acréscimo, aproximadamente 625 milhões de euros, resulta da comercialização de petróleo. Os dados surgem dias depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado intenções de aliviar as sanções aplicadas ao petróleo russo, numa tentativa de conter a escalada global dos preços desde o início do conflito com o Irão.

Em paralelo, a Agência Internacional de Energia alertou que a guerra reduziu a produção de petróleo e gás do Golfo em pelo menos 10 milhões de barris por dia, criando “a maior interrupção de abastecimento na história do mercado petrolífero global”.

As receitas obtidas com combustíveis fósseis representam uma componente crucial do orçamento russo, financiando gastos militares, incluindo a guerra na Ucrânia. Alexander Kirk, ativista da ONG Urgewald, sublinha que “em menos de duas semanas, a Rússia ganhou cerca de seis mil milhões de euros com a exportação de combustíveis fósseis, dinheiro que, em última análise, alimenta a máquina de guerra do Kremlin”.

Kirk criticou também a decisão anunciada por Trump de aliviar as sanções, afirmando que esta medida não estabilizaria os mercados, mas permitiria à Rússia vender petróleo a preços mais elevados, aumentando as receitas do Kremlin no momento em que as pressões económicas começavam a surtir efeito.

Antes do início do conflito com o Irão, os ganhos da Rússia com exportações de petróleo e gás vinham a decrescer ao longo dos 12 meses anteriores, tendo atingido o seu nível mais baixo desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, segundo a Agência Internacional de Energia.

O aumento recente evidencia a forte vulnerabilidade dos mercados energéticos globais a crises geopolíticas e o impacto direto destas tensões na capacidade de países exportadores de matérias-primas lucrarem, muitas vezes reforçando orçamentos militares e políticas externas estratégicas.
Por: Joao Mbatine

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