A Europol alertou que o nível de ameaça terrorista e de extremismo violento no território da União Europeia é atualmente considerado elevado, devido às repercussões do conflito no Médio Oriente.
A porta-voz da agência europeia de cooperação policial explicou que a guerra na região está a ter impacto direto no crime organizado e no terrorismo em território europeu.
Segundo a Europol, o aumento da tensão internacional pode favorecer processos de radicalização interna, sobretudo entre indivíduos isolados ou pequenas células auto-organizadas. A rápida disseminação de conteúdos polarizadores nas redes sociais poderá também acelerar estes processos de radicalização a curto prazo, particularmente entre comunidades da diáspora que vivem na Europa.
A agência europeia alertou ainda para a possibilidade de grupos aliados do Irão desenvolverem atividades desestabilizadoras na União Europeia. Entre estes grupos estão organizações como o Hezbollah, o Hamas e os Huthis, frequentemente associados ao chamado “Eixo da Resistência do Irão”.
De acordo com a Europol, essas ações podem incluir ataques terroristas, campanhas de intimidação, financiamento do terrorismo, ciberataques, desinformação e esquemas de fraude online.
Além da ameaça terrorista, a agência europeia advertiu que o risco de ataques informáticos contra infraestruturas e empresas ocidentais também poderá aumentar caso o conflito se prolongue. Redes criminosas e grupos extremistas poderão aproveitar o ambiente de grande circulação de informação para promover fraudes digitais e campanhas de desinformação, muitas vezes com recurso à inteligência artificial.
Apesar das preocupações, a Europol sublinha que, até ao momento, não existem sinais de um aumento direto do tráfico de migrantes relacionado com o conflito.
Entretanto, em Bruxelas, o comissário europeu para a Administração Interna, Magnus Brunner, afirmou que a principal prioridade da Comissão Europeia é garantir a segurança dos cidadãos, destacando o reforço dos controlos fronteiriços e a utilização do Sistema de Informação Schengen para partilha de alertas sobre ameaças terroristas.
O responsável europeu referiu ainda que o novo sistema de entrada e saída da UE, em implementação desde outubro, já permitiu deter cerca de 500 pessoas consideradas uma ameaça para a segurança do bloco. Segundo Brunner, manter vigilância permanente continuará a ser essencial face ao atual contexto internacional. (Lusa)
Por: IZILDA CHILUNDO
